<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224</id><updated>2012-01-30T12:51:35.982-08:00</updated><title type='text'>Minhas Velharias</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>28</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-7570545896635484555</id><published>2008-04-04T13:15:00.001-07:00</published><updated>2008-04-04T13:15:43.815-07:00</updated><title type='text'>Ex Pessoas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Sempre que um relacionamento chega ao fim, as pessoas envolvidas repetem a torto e a direito que desejam continuar sendo amigas; que não querem perder contato, que desejam sinceramente continuar fazendo parte um da vida do outro, encaixados em uma nova categoria: a da amizade. Venho me questionando sobre as verdadeiras possibilidades de uma amizade verdadeira surgir de um término de namoro. E admito ainda não ter chegado a uma conclusão sobre quão possível é isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ocorre é que quando um relacionamento termina, geralmente uma das duas partes sai contrariada. Esse papo de “terminamos em comum acordo” é apenas e tão somente isso: papo. Claro, algumas vezes ambos estão descontentes e acabam concordando que o melhor que se tem a fazer é encerrar o relacionamento. Mas na grande maioria das vezes, o namoro acaba em sociedade; um entra com o pé e o outro com o traseiro. E cada uma das duas situações possui suas peculiaridades; quem rejeita e quem é rejeitado. Examinemos ambas as situações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando você é quem toma a iniciativa de romper um relacionamento, é muito comum que precise de uma distância da ex-pessoa. Isso porque, além de ser o responsável pelo término, o que supõe que esteja em suas mãos a manutenção da condição de rompimento, fica difícil conviver com o ex de forma intensa no início. Uma série de projeções que haviam sido feitas tem de ser reintrojetadas, como se você houvesse apostado muitas fichas em um jogo de roleta e tivesse perdido; você precisa se reabastecer de suas próprias fichas, de suas energias, até sentir-se completo novamente. E fazer isso mantendo um contato freqüente com o ex fica difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, assim que se rompe um namoro, fica-se naquele clima de recém-solteiro: você só consegue pensar que está livre, que não namora mais, e é bem capaz de deslumbrar-se com esta nova qualidade. Geralmente seus assuntos irão referir-se às novas experiências que está tendo, sobre a forma como vem se sentindo, sobre os programas que vem fazendo. E muito provavelmente seu ex, sentido pelo término indesejado, não estará muito interessado em saber como estão sendo suas novas experiências.&lt;br /&gt;Se estiver totalmente convicto de que não é mais essa a relação que você deseja, que não corre nenhum risco de ter uma recaída, o medo de magoar o ex também pode ser um dos fatores que podem gerar ou manter a distância inicial. Você pode não querer passar pela situação de ter de reafirmar várias vezes que não quer voltar, que deseja continuar sozinho e que está mais feliz assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se você é quem é terminado, a situação piora. Você pode até morrer de vontade de encontrar a outra pessoa, de saber como ela está, de avaliar quais são suas chances de reconquistar o ex. Mas se a outra pessoa estiver certa sobre a decisão tomada, esta proximidade passa a ser masoquismo. Você deseja ardentemente encontrar o ex, mas quando o encontra, não recebe aquilo que faria com que você se sentisse satisfeito. Você anseia por um telefonema, mas quando este se dá, a frieza ou distância impressa na voz do outro aniquila suas expectativas de retorno do namoro. Você precisa saber o que o outro anda fazendo, mas se fica sabendo que ele está muito bem, obrigada, sem você, sente-se a última pessoa do universo e tem vontade de pular pela janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A amizade entre duas pessoas não pode ser algo forçado; você não pode e nem deve exigir que uma pessoa queira ser seu amigo. Muitas vezes este desejo de “ser amigo” pode até representar uma tentativa camuflada de negar o término e a separação, de não se distanciar totalmente. Se foi você quem terminou, talvez ainda esteja inseguro, com medo de se arrepender; a amizade surge como uma forma de manter a pessoa por perto, de não se distanciar demais ao ponto de não conseguir voltar atrás se desejar. E se você foi terminado, talvez esteja tentando se convencer de que qualquer contato com a pessoa que o rejeitou seja melhor do que ficar definitivamente sem ela. Mas muito cuidado para não se conformar em receber menos do que deseja. Se você continua apaixonado, é bem difícil que se sinta satisfeito em ter apenas a amizade da outra pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amigos não sentem ciúmes de amigos; ficam felizes se eles estão felizes, independentemente de que esta felicidade seja decorrente de um romance que acaba de começar. Amigos não são possessivos em relação aos outros. Amigos não cobram um telefonema todos os dias, e nem cobram sair juntos todos os finais de semana. Amigos não sentem desejo por outros amigos – ou pelo menos não deveriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuidado para não cair no conto de “vamos continuar amigos”. Vocês não eram amigos, e sim namorados. Não têm como continuar sendo algo que nunca foram. O distanciamento é necessário para a desvinculação. E apenas desvinculado é que se consegue realmente avaliar se a decisão foi a correta ou não. A amizade vem apenas em um segundo momento, quando cada um dos ex passa a ser novamente uma pessoa inteira, quando todas as mágoas tiverem sido superadas, quando todas as expectativas tiverem sido reintrojetadas, quando todo o sentimento houver terminado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo neste mundo tem seu tempo. Até a amizade.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Dezembro de 2004&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-7570545896635484555?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/7570545896635484555/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=7570545896635484555&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/7570545896635484555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/7570545896635484555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2008/04/ex-pessoas.html' title='Ex Pessoas'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-5505037261340689347</id><published>2008-04-04T13:12:00.001-07:00</published><updated>2008-04-04T13:14:19.906-07:00</updated><title type='text'>Fuja do Telefone</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;&lt;strong&gt;(ou, O Indecifrável Porquê Dos Homens Dizerem Que Vão Ligar E Nós Acreditamos)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Toda vez é sempre a mesma coisa. Você conhece um carinha legal, bonitinho, com um papo bacana... Às vezes o recém conhecido te beija às vezes não. Mas invariavelmente, se ele te achou legal, bonitinha e com um papo bacana, faz a promessa: amanhã te ligo. E invariavelmente você acredita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creia, irmã, você não é a única a acreditar nesta balela. Claro, não é regra você ficar o dia inteiro esperando a maldita invenção de Grahan Bell tocar, sentindo frios na espinha quando toca, e querendo se jogar da janela do seu prédio – ou do viaduto do chá, se você não mora em apartamento – quando vê que não era ele. Mas é inacreditável o número de vezes em que ligo para minhas amigas, elas atendem com uma vozinha doce do outro lado da linha e mudam o tom de voz ao ver que era só eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque falam que vão ligar se não ligam? Porque não falam apenas um “agente se fala”, “te ligo dia desses”, “vou te ligar”? Porque acrescentar o adjunto adverbial temporal “amanhã”? Afinal, esperar o cara te ligar um dia é bem diferente do que esperar o cara te ligar tal dia. Se ele ficou de te ligar provavelmente você nem vai acreditar, vai reclamar que ele foi vago e que o encontro foi de uma noite e nada mais. E no dia em que ele ligar – se ligar, é claro – você  vai ficar toda contente por ele ter se lembrado de você e ter perdido momentos preciosos da vida te telefonando. Vai até dizer, contente, para as amigas, “meu, você não sabe quem me ligou”, com aquele ar de quem recebeu uma dádiva divina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se ele fala em amanhã, está te localizando no tempo e no espaço, garantindo alguma coisa, dando uma continuidade para uma noite que certamente não vai cair no esquecimento. E você vai dormir com aquela sensação de ter vivenciado um momento de encontro. E você vai acordar sentindo um frio no estômago, uma ansiedade que você não consegue explicar o porque até se lembrar da promessa feita no dia anterior. Vai passar o dia contente, esperando chegar o finalzinho de tarde, hora em que os telefonemas se dão. Vai verificar o celular o tempo todo, procurando alguma ligação perdida. Mas quando a novela das oito acaba, você vê que já está ficando tarde e ele não ligou... Aí começa o tormento. “Desgraçado, filho da mãe, cretino!”, é tudo o que você consegue pensar.  E então se inicia uma série de telefonemas desesperados para suas amigas, nos quais você se pergunta o porque de tanta safadeza, começa a se questionar o que pode ter feito de errado para o crápula acordar no dia seguinte, coçar a cabeça e chegar à conclusão: “não... acho que não vou ligar”, e se esquecer de você por completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversando com uma amiga sobre isso outro dia e ela me deu a solução: é justamente isso que o canalha quer. Te deixar apreensiva e pensando nele o dia seguinte inteiro. Ser lembrado a cada toque do seu telefone, ser comentado por você com as suas amigas. Para quê falar que te liga qualquer dia, e deixar você tranqüila, se ele pode dar uma de gostoso e fazer seu pensamento se fixar nele no dia seguinte inteiro? Ele quer é te prender a ele, te fazer esperar, esperar, esperar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uni-vos mulheres que esperam um telefonema! Saiam dessa e invertam o jogo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Se ele disser que liga no dia seguinte, diga que amanhã você estará muito ocupada e, caso você não atenda o telefone, que ele não pense que você não quer atender, e sim que está mais atarefada fazendo outra coisa. Isso vai fazer ele te ligar, afinal, quem não quer saber se é mais importante do que os compromissos do dia a dia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Se ele te ligar, não atenda. Ele vai se sentir preterido, e um homem preterido é tudo o que uma mulher precisa!! Todo mundo merece se sentir a última bolacha do pacote, e ainda por cima recheada e de chocolate!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;* Se achar que não vai agüentar ouvir o telefone tocando e não atender, jogue o mesmo jogo dele. Fale que seu celular está com problema, e que por isso você prefere pegar o telefone dele. E lembre-se: diga que vai ligar no dia seguinte!!! Pois aí, quem vai ficar esperando o telefone tocar será ele, enquanto você, fêmea poderosa, coça a cabeça ao acordar e decide se vai ligar ou não...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Março de 2005&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-5505037261340689347?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/5505037261340689347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=5505037261340689347&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/5505037261340689347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/5505037261340689347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2008/04/fuja-do-telefone.html' title='Fuja do Telefone'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-8872000227661895820</id><published>2008-04-04T13:07:00.000-07:00</published><updated>2008-04-04T13:23:57.162-07:00</updated><title type='text'>Honestidade</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muito ouve-se falar sobre honestidade. Que a sinceridade é a melhor virtude, que nada pode ser melhor do que estar em um relacionamento aberto e com espaço para o diálogo, e bla-bla-bla. Obviamente ninguém quer se sentir enganado, feito de bobo ou coisa do gênero. Mas será mesmo que a honestidade é sempre a melhor escolha? Será que em um relacionamento, que envolve tanto de tática e política, as pessoas sempre devem saber da verdade, custe o que custar? Ou em alguns momentos, quando sentimentos, valores e emoções tão delicadas estão em jogo, o melhor a se fazer não é apenas ser honesto consigo mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sempre fui destas sonhadoras que acreditam que a sinceridade é a melhor pedida. Sempre achei que, houvesse o que houvesse, deveríamos saber da verdade. No meu último relacionamento, eu e meu ex fizemos um pacto de sinceridade: diríamos sempre a verdade, por pior que ela pudesse ser. Eu teria que passar o próximo mês fora, a trabalho, e combinamos que, caso algo de “inusitado” ocorresse, contaríamos tudo, tim tim por tim tim. Mas nem tudo ocorre como o planejado, e depois de algumas decepções diante de certas atitudes do meu namorado e de alguns emails confusos trocados, traí meu namorado com um colega de trabalho. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A coisa não passou de uns beijinhos de boa noite, mas no dia seguinte, quando acordei, percebi que não me sentia bem com o que tinha acontecido. Não por ter traído a confiança do moço, mas por ter traído a mim mesma e ao sentimento intenso que eu tinha. Apesar de decepcionada, ainda acreditava que as coisas pudessem dar certo. E depois de uma conversa franca e honesta com meu amigo, as coisas foram colocadas em pratos limpos e nosso laço de amizade intensificou-se ainda mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando voltei da viagem e reencontrei meu namorado, percebi que as coisas não estavam iguais. No início pensei que eu estivesse “over-reacting”, motivada pela consciencia de que eu não havia feito por valer nosso pacto de sinceridade. Mas depois de três finais de semana seguidos separados, impossibilitados de nos vermos em função da agenda repentinamente lotada do namorado – que passou a trabalhar aos sábados e jogar futebol aos domingos – percebi que a vaca tinha ido para o brejo. Depois de uma conversa doída, ele admitiu que não estava tão envolvido no relacionamento quanto eu e decidimos por terminar o namoro. E qual não foi o meu espanto quando, dois dias depois, ele veio de surpresa à minha casa e admitiu que havia me traído também, por duas vezes, enquanto eu viajava a trabalho. Duas vezes, e com a mesma mulher. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há uma coisa curiosa em relação à honestidade, é esta coisa é o que motiva a honestidade. Uma questão filosófica: uma árvore de uma tonelada que cai em meio á uma floresta sem que haja alguém por perto que ouça o barulho. Fez barulho ao cair? No meu caso, a resposta era não. Mas no caso do namorado, o barulho parecia ter sido tão grande que, depois de um mês que eu voltara de viagem, ainda ressoava em seus ouvidos. E o que me deixou profundamente pensativa foi o comentário que ele fez depois que me contou a verdade: que sentia-se tão culpado por ter feito o que fez que não conseguia me tratar da mesma forma. Quando é que a honestidade para com o outro ultrapassa o limite da sinceridade altruísta, caindo no lugar comum da confissão? Qual é o verdadeiro valor da honestidade motivada pelo sentimento de culpa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A culpa é um sentimento horrível, pois está intimamente associado ao conceito de punição. Quando somos crianças e fazemos algo de errado, nossos pais fazem com que “paguemos” pelo nosso erro, tirando-nos privilégios ou dando-nos belos tapas na bunda. Com o tempo, aprendemos que determinada coisa é errada pois virá acompanhada da punição, e a partir deste momento, quando cometemos conscientemente um erro, sentimo-nos culpados. Desta forma, a culpa nada mais é do que o sentimento que nos assola entre o erro cometido e a punição merecida. Mas a filosofia ocidental-cristã prega que, caso confessemos nossos erros, seremos absolvidos pelo mesmo, como um prêmio recebido pela coragem de admitirmos nossas falhas. E aparentemente, foi isso o que o namorado pretendia, ao admitir sua traição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele momento ele foi o menino pecador assustado e eu, seu padre confessionário, que o faria sentir-se péssimo pela sua falta de consideração e que, no momento seguinte, o perdoaria. Algo como, “ajoelhe-se no milho e reze vinte aves-maria e doze pais-nosso”. Mas eu o surpreendi, dizendo que eu também havia sido infiel a ele. Mas que, em momento algum, havia traído a mim mesma. Contei o que tinha acontecido entre mim e meu colega de trabalho, e a reação do moço foi a de indignação. Ele não conseguia entender como eu havia feito o que havia feito sem me sentir culpada. Teria sido engraçada, se não fosse trágica, a expressão do moço diante da minha honestidade. Raiva, rancor, indignação e inconformismo eram os sentimentos que o dominavam quando ele me disse que preferiria não saber da verdade. E quando eu perguntei o porque de ele pensar assim cinco minutos depois de ter sido honesto, ele me respondeu que me disse pois se sentia culpado, e que se eu não me sentia assim não deveria ter contado nada. Bingo, ganhei um frango.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pior desonestidade que pode existir é a desonestidade consigo mesmo. Uma parábola budista conta que um mestre e seu discípulo peregrinavam quando encontraram uma mulher na beira de um rio. Quando se aproximaram, a mulher lhes disse que precisava atravessar o rio para comprar mantimentos, mas que não sabia nadar. O mestre prontamente ajoelhou-se no chão, oferecendo os ombros para que a mulher se sentasse neles e ele a carregasse até a outra margem, e assim ela o fez. Cruzaram o rio, a mulher agradeceu e foi-se embora. Mas o discípulo não conseguia compreender a atitude do mestre; como é que ele, um sábio que vivia em celibato, havia oferecido os ombros para que neles a mulher se empoleirasse? Depois de meses atormentado pela questão, ele interpelou o mestre, e depois de expor o motivo de seu anseio ele lhe respondeu: “Pois é esta a diferença entre o mestre e o discípulo: enquanto um carrega a mulher nas costas de uma margem a outra do rio, o outro a carrega nas costas por meses a fio”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E esta foi a diferença entre meu ex-namorado e eu: o grau de maturidade envolvido na intenção de ser honesto. Enquanto eu carreguei meu deslize nas costas de uma margem do rio e outra, ele carregou o seu por meses a fio, e apenas o abandonou no momento em que confessou-me seus pecados, esperando pela minha absolvição. Mas ela nunca veio. O namorado virou ex, o amigo continuou sendo amigo e eu demorei certo tempo para recuperar a minha auto-estima. Mas no final de tudo, convenci-me de que o maior triunfo de uma pessoa é a honestidade para consigo mesma, antes de ser para com o outro. O que, antes de qualquer outra coisa, é a prova mais concreta da maturidade pessoal de um individuo que se aceita e se respeita.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Novembro de 2005&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-8872000227661895820?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/8872000227661895820/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=8872000227661895820&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/8872000227661895820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/8872000227661895820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2008/04/honestidade.html' title='Honestidade'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-8528684554909793901</id><published>2008-04-04T13:02:00.000-07:00</published><updated>2008-04-04T13:03:45.729-07:00</updated><title type='text'>O que é mais difícil... é mesmo mais gostoso?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Uma de minhas melhores amigas é uma mulher belíssima e extremamente inteligente. Redatora de uma agência de publicidade, é dona de um dos sensos de humor mais perspicazes com os quais já me deparei. Divertida, sexy e com ótimo gosto para se vestir, dificilmente passa despercebida em uma ocasião social. Articulada, consegue relacionar-se com todos os tipos de pessoas com igual facilidade. Sexualmente independente, resolvida consigo mesma e com o mundo, já dormiu com tantos homens lindos que é de fazer inveja a qualquer mortal. Mas apesar de possuir tantas qualidades, ultimamente vem se lamentando da dificuldade em encontrar um homem que, mais do que aquecer sua cama, aqueça seu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, há uma característica referente a seu comportamento afetivo e sexual que chama a atenção. Ela costuma se apaixonar por homens que possuem em comum uma única característica: nunca estão disponíveis. Sua mais recente paixão foi por um homem  grosso, mal educado, comprometido e que agia como se a tomasse por imbecil e idiota, desprezando sua inteligência. Antes disso, apaixonara-se por um “amigo” que vivia a cortejando, no exato momento em que ele começou a namorar com outra. E para finalizar, encantara-se com outro dias antes de ele se mudar do país. E é desnecessário dizer que antes de pensar em viajar, este também vivia convidando-a para sair. E ela nunca tinha vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A impressão que eu tinha era a de que se tratava de uma dinâmica típica de uma pessoa com um escancarado medo de se envolver. Esta idéia foi reforçada quando ela me contou que havia saído com mais um homem que havia levado-a para jantar em um restaurante japonês caríssimo – e pagado a conta – e que a tratara muito cortesmente, presenteando-lhe com uma blusa muito bonita e nem sequer tentando-a beijar no final do encontro. Mas ela não lhe dera a mínima. Ela interessava-se apenas por homens que não estavam disponíveis e que não apresentavam condições de proporcionar-lhe o que desejava. Como se estivesse em um ponto, esperando um ônibus de determinada linha passar, mas ao invés de entrar em um com ar condicionado, vazio e com poltronas confortáveis nas quais pudesse se sentar, escolhia deliberadamente entrar em um caindo aos pedaços, lotado e no qual mal poderia respirar de tanto calor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta percepção me fez lembrar algumas sessões com minha terapeuta, nas quais havíamos conversado sobre este mesmíssimo assunto: a extrema facilidade em me apaixonar e manter-me interessada por homens que não me davam a mínima e, por outro lado, a mesma facilidade em desinteressar-me e me afastar daqueles que se mostravam genuinamente disponíveis e bem intencionados. Na época esta intervenção pareceu-me absurda e até mesmo ofensiva: eu não era nenhuma masoquista, retardada e viciada em rejeição!!! Mas passado algum tempo, comecei a cogitar veementemente tal possibilidade.&lt;br /&gt;Seria possível que nós, mulheres inteligentes e interessantes fôssemos, por outro lado, estúpidas ao ponto de nos permitirmos envolver sempre com os homens errados? Estaríamos nós, guiadas pela máxima de que o que é mais difícil é também mais gostoso, desperdiçando as possibilidades de encontrarmos homens bons e dispostos a viver, conosco, algo que valesse a pena? E direcionando sempre nossos pensamentos e sentimentos para homens que, nem em um milhão de anos, nos dariam o que queríamos? Em última análise, estaríamos nós reproduzindo o comportamento masculino – do qual sempre nos queixamos – e quando percebemos que o “alvo” de nosso interesse está disponível, imediatamente nos desinteressamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Angustiada pela possibilidade de estar sendo, eu mesma, minha própria inimiga, sabotando minhas chances de ser feliz e imitando os movimentos instintuais caninos de correr atrás do próprio rabo, pus-me a pensar em meus últimos relacionamentos amorosos. Tentando identificar em mim mesma um padrão de envolvimento, cheguei a conclusões estarrecedoras. Quando eu percebia que um homem pelo qual eu estava interessada não me correspondia, ao invés de partir para outra ou simplesmente olhar ao redor verificando se não havia por perto algo melhor, eu fazia do cidadão um verdadeiro desafio. Um que nunca namorou ninguém? Ah, comigo ele namoraria. Um que nunca foi fiel? Ah, comigo ele seria. Um que pensava em se mudar de cidade? Ah, por mim ele mudaria de idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao invés de me afastar dos tipos que, previsivelmente, me fariam sofrer, eu intencionalmente permitia-me me aproximar. Transformava a “dificuldade” ou o “defeito” da pessoa em um desafio pessoal. Como se ela apenas fosse do jeito que era porque não havia me conhecido antes. Eu, o umbigo do Universo, a mulher mais interessante do planeta Terra, certamente conseguiria o que nenhuma mulher havia conseguido antes: consertar um homem errado. E, se acaso conseguisse, o mérito seria totalmente meu. Assim, eu confirmaria a mim mesma o quão especial, maravilhosa e superior eu era. E as outras pessoas me olhariam e comentariam entre si, “nossa, ela conseguiu... e se conseguiu, é porque realmente é muito especial!!”. E eu me convenceria de que realmente possuía tais características. Pura insegurança de minha parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o pulo do gato nessa história toda era que a idéia contrária também era verdadeira: uma vez que, se eu conseguisse o que queria, o mérito seria meu... se não conseguisse é porque a falha também haveria de ter sido minha. Na verdade, a minha grande falha era a de não levar a outra pessoa em consideração. Não pensava na possibilidade de que talvez o cara fosse mesmo um problemático que nem eu e Freud, juntos, poderíamos dar conta. Que talvez ele tivesse acabado de sair de uma aventura amorosa e estivesse traumatizado. Que ele talvez fosse viado e ainda não houvesse se descoberto. Enfim, que talvez a razão pela qual meus planos teriam ido por água a baixo não dissesse respeito exclusivamente à minha pessoa. Por mais especial, inteligente e interessante que fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Complementarmente, permitir que uma pessoa interessada em mim se aproximasse significava me mostrar como verdadeiramente eu era. Não teria que “fazer tipo”, que planejar frases, que escolher as melhores palavras de modo a agradar e a conquistar quem quer que fosse, pois a pessoa já estaria interessada. Já havia percebido minhas qualidades sem que eu precisasse ficar “esfregando-as” na cara de ninguém. Muito pelo contrário, me permitir envolver significaria permitir que a pessoa conhecesse, também, meus defeitos e minhas piores facetas. Buscando sempre as pessoas erradas eu estaria, na tentativa de me envolver, me impedindo de me envolver. E também de me relacionar, o que significava levar o outro em consideração... afinal, uma relação é feita de, no mínimo, duas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É incrível a capacidade que temos de nos sabotar. Afinal de contas, só consegue enganar alguém quem conhece profundamente quem vai ser enganado. E neste caso, ninguém nos conhece mais do que nós mesmos. O que nos impede de aceitar conhecer uma pessoa que se mostra disponível é, em última análise, o medo da rejeição. Enquanto tentamos conquistar alguém, buscamos decifrar o que agradaria a pessoa, ocultamos tudo aquilo que não seria adequado, pegamos todas as nossas qualidades, as lustramos e colocamos todas elas em uma vitrine, bem expostas aos olhos do objeto de nosso interesse. Não há relação, apenas o jogo da conquista. O que não acontece quando nos deixamos envolver com uma pessoa que já se interessa por nós. Neste caso há uma relação, há a convivência, há a troca. E os defeitos e coisinhas irritantes também têm o seu espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade quando conseguimos ocultar nossos defeitos dos outros, é quase como se conseguíssemos ocultá-los de nós mesmos...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Março de 2005&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-8528684554909793901?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/8528684554909793901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=8528684554909793901&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/8528684554909793901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/8528684554909793901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2008/04/o-que-mais-difcil-mesmo-mais-gostoso.html' title='O que é mais difícil... é mesmo mais gostoso?'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-975328376986081163</id><published>2008-04-04T13:00:00.000-07:00</published><updated>2008-04-04T13:01:18.790-07:00</updated><title type='text'>Objetivos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Outro dia estava conversando com um amigo na academia; ele me contava de uma garota com a qual estava saindo. Pareciam estar se dando bem, se falando todos os dias pelo telefone, se vendo uma, às vezes duas vezes por semana. Tudo corria às mil maravilhas até que a garota viajou para os jogos universitários da sua faculdade; passaria dez dias no interior, mas prometeu que ligaria para ele durante este tempo. Obviamente, não ligou. Ela nem havia voltado da viagem ainda e ele já tinha saído com mais três meninas da academia, falava que tinha resolvido – da noite para o dia – aproveitar sua vida de solteiro. Disse que naquele mesmo dia iria sair com uma quarta, que eu sabia, mas ele não, era amiga da sumida. Quando eu perguntei o objetivo daquilo tudo, ele me responde: “se quem eu quero não me quer, vou sair querendo todo mundo!”, para logo depois acrescentar, como quem não quer nada, que podíamos combinar de fazer alguma coisa durante a semana. Eu, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei instantaneamente de outra amiga minha, cujo pai fala pouco, mas quando fala, é muito sábio. Ela contava ao pai que tinha saído com um carinha na terça, outro na quarta e que estava se arrumando para sair com um terceiro na sexta. E ele, perspicazmente, comentou: “E eu fico aqui me perguntando o objetivo disso tudo...”. Parei para pensar na enorme quantidade de vezes em que eu mesma faço coisas cujas conseqüências poderiam ser desastrosas – e algumas vezes de fato o são – sem me questionar o verdadeiro objetivo das minhas atitudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que a grande maioria das pessoas é assim. Não se questionam, não param sequer por um momento para pensar a real motivação de se comportarem de X ou Y maneira. Tenho até mesmo uma paciente que sempre, ao final do relato sobre alguma coisa que lhe aconteceu, acrescenta, com um sorriso tímido: “Se eu tivesse parado e respirado por dez segundos,  não teria feito nada disso!”. E eu fico sempre me perguntando... e porque não parou para respirar? Porque essa necessidade de atuação, de agir, de fazer, de acontecer? Qual é esse medo que existe em dar uma pausa, observar as reais motivações que levam a cometer esta ou aquela atitude? Entrar em contato com o que de verdade se sente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É inacreditável o número de pessoas que conheço que não entra em contato com seus sentimentos. Se escondem daquilo que sentem como se seus próprios sentimentos lhe fossem inimigos terríveis. Outro dia conversava com uma amiga, que me dizia, chorosa: “Prefiro passar por cima dos meus sentimentos do que por cima de mim mesma!”. E qual é a diferença? Essa minha amiga vinha encarando seus sentimentos como algo externo a ela própria, como algo que deveria ser combatido, renegado, expulso, exorcizado de dentro de si. Outra amiga me dizia, dia desses, que sabia que não deveria estar sentindo X sentimento, e que por isso acabava se punindo. E quem, em nome de Jesus, é capaz de dizer o que se deve ou não sentir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentimentos não são certos, errados, aconselhados ou contra-indicados, bons ou maus. São simplesmente sentimentos. Certo, errado, bom ou ruim é o que fazemos a partir destes sentimentos. Você não pode ser responsabilizado por amar ou odiar alguém, mas sim pela atitude que toma a partir deste sentimento. Quantas e quantas vezes não estamos com raiva, inveja, rancor ou mágoa de uma pessoa e não nos permitimos admitir estes sentimentos, como se a máxima cristã de sempre amar ao próximo fosse algo possível de ser exercitado vinte e quatro horas por dia? Fingimos que não estamos sentindo nada, mas na primeira oportunidade, despejamos toda a mágoa acumulada em cima desta mesma pessoa, passamos como um Boeing 747 por cima dela, e depois nos sentimos mal; aquela consciência culpada, de quem fez alguma coisa errada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande maioria das atitudes impensadas é tomada a partir de sentimentos que já estavam ali há muito tempo, esperando por ser reconhecidos, mas que foram negados, subjugados, reprimidos. No caso do meu amigo da academia; qualquer pessoa com QI acima de 20 seria capaz de reconhecer que ele nutria um baita sentimento de rejeição  pela garota-viajada, menos ele próprio, que possui um QI muito mais elevado do que isso. E eram justamente estes sentimentos que o estavam fazendo sair com qualquer garota, a torto e a direito, para tapar o buraco deixado pela primeira, que não tinha correspondido às suas expectativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão parece ser a de que admitir os próprios sentimentos, hoje em dia, é sinal de fraqueza. Admitir que se ama quem não nos ama, de que se deseja o que não se recebe, de que se sonha sonhos que não se realizam... tudo isso parece exprimir uma fragilidade extrema, uma fraqueza imensurável... Quando na verdade, toda moeda possui dois lados, e nos dias de hoje, assumir o que se sente me parece muito mais um sinal de força e de respeito por si próprio do que de fraqueza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir do instante em que se toma contato com os sentimentos, em que se admite que talvez o que se sente não é o mais agradável ou confortável, mas que está ali, à espera de reconhecimento e respeito, temos o embasamento necessário para estabelecermos a tomada de atitudes com reais objetivos. Sejam eles quais forem. Mas que existam, pelo amor de Deus.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Março de 2005&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-975328376986081163?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/975328376986081163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=975328376986081163&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/975328376986081163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/975328376986081163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2008/04/objetivos.html' title='Objetivos'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-3605480321944305828</id><published>2008-04-04T12:58:00.000-07:00</published><updated>2008-04-04T12:59:29.478-07:00</updated><title type='text'>Regredindo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Hoje cheguei à conclusão de que tenho, no máximo, uns 5 anos de idade mental. Não muito mais do que isso. Não sei como é que uma pessoa de 26 anos pode ter um déficit tão grande entre idade cronológica e idade mental. Mas eu tenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja por isso que me dou tão bem com crianças. Talvez elas tenham algum tipo de sexto sentido que capta as pessoas com a mesma mentalidade que elas. O fato é que todos os filhos de amigos meus me adoram, e sempre que chego em alguma festinha infantil sou o alívio para muitos papais e mamães, que só vão se preocupar novamente com os rebentos na hora de ir embora, ou quando um deles cai e quebra o braço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma capacidade incrível de me comportar como uma criança – até mesmo como uma de colo! – em algumas situações. Quando pinta uma fofoca sobre o carinha que estou de rolo e uma amiga dele, chego a bater no “menos um”. E depois fico me sentindo péssima, envergonhada e recalcada. Não sei se alguém já se sentiu assim como eu, porque o fato é que além de virar criança, viro uma daquelas bem envergonhadas, que não contam pra ninguém o que fizeram de errado. Quando não há provas, não há crime!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria saber porque sou assim. Talvez esta seja uma habilidade especial de todas as mulheres que, quando têm seus filhos, têm de regredir um pouco para serem capazes de entender o que a criança está querendo ou dizendo. Mas porque cargas d´água não podemos regredir a um estado infantil apenas nas situações convenientes? Porque temos de agir como crianças quando não precisamos, ou pior, quando isto deveria nos ser proibido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes chego a concordar com um amigo meu, que diz que a única psicologia que deveria existir é a comportamental. Aquele tipo de técnica que usam com os animais de circo. O adestrador pede a pata, o animal leva um choque e tem de levantá-la. Depois de um tempo ele não leva mais o choque, mas aprende –  de alguma forma estúpida – que todas as vezes que sua pata for pedida ele deverá erguê-la, ou a alternativa é o choque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não gostaria de viver por aí, tomando choque, todas as vezes que a minha idade mental regredisse uns aninhos. Mas deveria ter um dispositivo de segurança indolor, apenas como um alerta. Quando eu estivesse próxima dos oito ou nove anos, sentiria uma coceira abaixo da terceira costela esquerda (teria de ser algo bem específico, para eu não poder me enganar). Alerta vermelho: primeira infância chegando, primeira infância chegando! Sim, porque até pra ser criança existe um limite. Eu me colocaria no meu lugar novamente, veria com clareza a realidade, e avaliaria muito bem as chances de estar embarcando numa furada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, porque depois de ter 5 anos, fica muito difícil voltar aos 26! Por mais acelerada que seja a tecla “forward”, preciso de umas boas horas para amadurecer 21 anos. Dá trabalho ser gente grande! Precisei interromper o trabalho que estava fazendo e escrever esse texto, até mesmo ver algumas fotos, pra me convencer de que tenho mesmo 26 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero cooooooooolooooooooo!!!!&lt;/span&gt;         &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Janeiro de 2005&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-3605480321944305828?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/3605480321944305828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=3605480321944305828&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/3605480321944305828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/3605480321944305828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2008/04/regredindo.html' title='Regredindo'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-479004823344741832</id><published>2008-04-04T12:56:00.000-07:00</published><updated>2008-04-04T12:57:38.389-07:00</updated><title type='text'>Rolo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Se você começa a sair com uma pessoa, descobre várias afinidades entre vocês, têm um papo legal, uma química interessante, começam a se falar sempre pelo telefone, a saber do passado um do outro, a citar os respectivos amigos pelo nome, e não genericamente como “um amigo meu”... inevitavelmente, em algum momento desta epopéia irá se perguntar: “será que estou namorando”? Talvez seus próprios amigos introduzam o tema namoro na história: “Ih, pronto, ela já ta de namorado novo!”, “Pronto, uma a menos no rol das solteiras!”...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É inacreditável a quantidade de conhecidas minhas que se encontram neste impasse. Não sabem definir precisamente o grau de envolvimento que vivenciam, incomodam-se com o fato de não haver nada definido, de não saberem quais são as regras do jogo que estão jogando – se saem, convidam o cara ou não? Se estão com vontade de ligar, mas foram as últimas a fazê-lo, ligam ou esperam o bofe se manifestar? Se têm saudades, falam ou guardam para si este sentimento? Enfim, estão ficando ou namorando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém mais descolado e moderno pode afirmar veementemente que rótulos não importam. Que o que importa é a relação, como você e o pretendente se tratam, como se sentem um na presença um  do outro. Mas, pelo menos no meu entendimento, a diferença toda pode estar no detalhe do nome dado ao relacionamento. Eu explico.&lt;br /&gt;Vamos supor que você esteja ficando com alguém. Vocês se falam ao telefone quando têm vontade, saem quando têm vontade... e quando não têm, não se telefonam, não dão satisfações das respectivas vidas. Você pode ficar chateada se de repente resolveu reservar a noite de sexta-feira para sair com ele e ele simplesmente não ligou. Mas não pode demonstrar isso, porque, afinal, que obrigação ele tinha de telefonar? Vocês não tem nenhum compromisso, são ficantes. E se você resolveu reservar um espaço na sua agenda para ele, o problema é seu, ninguém mandou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você também não deve se sentir no direito de se irritar se acaso suspeitar que ele sai com mais pessoas. Afinal, fidelidade não é uma das regras do ficar. Você pode ficar chateada se alguma amiga fizer a denúncia de que encontrou com ele numa balada, e que ele estava acompanhado. Mas nunca poderá ligar para o canalha soltando os cachorros, dizendo que você pode ser loira, mas não burra, e que ele não pode te fazer de otária. Porque ele pode, sim. Afinal, quem disse que ele teria que ficar só com você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes penso que as coisas eram muito mais simples na época das nossas avós. Naquela época, se você saía com um cara mais de três vezes, se ele te beijava ao te deixar no portão da sua casa... você estava namorando. Porque se um dos envolvidos não estivesse a fim de envolvimento, não saía mais do que uma vez, nem chegavam a se beijar. Naquela época os costumes eram outros, a sexualidade não era um assunto tratado na mídia displicentemente como é hoje em dia. A mulher ainda tinha algo de sagrado, de profundamente respeitado, protegido e resguardado, e as casas de meretrício serviam justamente para que os homens pudessem dar vazão a impulsos que não poderiam encontrar objetos outros que senão mulheres que se prestassem exclusivamente a isso. Mas hoje em dia... A mídia até mesmo valoriza o despreendimento sexual, passando a imagem da “mulher de Nova”, que deve transar sempre que quiser, e que deve procurar um analista se não tiver orgasmos múltiplos a cada transa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta perspectiva, namorar pra quê? Assumir compromisso quando? Vivemos numa sociedade sem superego, onde tudo é permitido, nada é proibido, contanto que cada um assuma responsavelmente as conseqüências por seus atos. E o resultado disso é cada vez mais e mais pessoas perdidas, que sentem o que não podem sentir, que desejam o que não devem desejar, que fantasiam o que lhes é proibido fantasiar. O romance perde espaço, cedendo lugar à aventura... O que faz com que voltemos então ao nosso par de opostos, ficar – namorar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia saí da terapia reanimada – ah, se todas as sessões fossem assim... Minha terapeuta escandalizou meu psiquismo ao afirmar que as coisas não são oito ou oitenta, céu e terra, bem e mal, ficar e namorar. Propôs uma terminologia interessantíssima, que me acalenta em todas as aflições. Propôs o rolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rolo é um momento intermediário de envolvimento, entre o ficar e o namorar, no qual estão presentes algumas características de ambas as categorias. No rolo você pode conversar com o pretendente todas as noites antes de dormir, mesmo que saia para uma balada no momento seguinte em que desligar o telefone. No rolo você tem o direito – graças a Deus! – de dizer que tem saudades. O rolo nos autoriza a ficar P da vida se encontramos o cara com outra, a dar um puxão de orelha se ele ficou de ligar e não ligou. E tudo isso sem espremer a relação dentro de uma categoria comprometedora como o namoro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No rolo as pessoas se conhecem, vão a fundo nas qualidades e nos defeitos um do outro, para então, tirarem suas conclusões se este é um relacionamento bacana, no qual vale à pena investir. Você pode até ficar com uma pessoa enquanto estiver de rolo com outra, mas provavelmente nem sentirá vontade, já que no rolo já existe uma espécie de envolvimento. No rolo você tem a oportunidade de se permitir decidir o que é melhor ou não para você. Ás vezes você percebe algumas características que, em um namoro, te deixariam de cabelo em pé. Em outras palavras, o rolo também serve para que, algumas vezes, você se livre de uma boa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de uma certa época, passa a ser um risco assumir um compromisso sério com uma pessoa sem avaliar corretamente as chances do relacionamento dar certo. Afinal de contas, é uma coisa namorar dois, três anos quando se tem dezoito, e perceber que não deu em nada, e outra completamente diferente passar tanto tempo ao lado de uma pessoa quando se tem vinte e cinco anos – se não der certo, começar do zero aos trinta? Com o tempo, você vai – ou pelo menos deveria – acumulando experiências,  para não reincidir em erros cometidos anteriormente. E no rolo você vai delimitando este espaço, até contar com uma quantidade de informações suficiente para decidir se é melhor namorar – ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo isso por um preço módico: o de admitir que você está sozinha, que não tem um compromisso com outra pessoa, mas sim um compromisso assumido consigo mesma de descobrir o que te agrada ou não, o que te faz bem ou não, o que é para você ou não. De se permitir conhecer – mais do que o outro, a si mesma. Aproveite a chance: avalie. Veja se a outra pessoa é boa o suficiente para estar ao seu lado, observe-a em situações práticas do dia-a-dia. Dá gorjeta para o manobrista? Fala alto demais dentro do cinema? Olha para a derriére de qualquer sirigaita que cruza o seu caminho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fique de rolo agora, para não se enrolar mais tarde.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Março de 2005&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-479004823344741832?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/479004823344741832/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=479004823344741832&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/479004823344741832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/479004823344741832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2008/04/rolo.html' title='Rolo'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-5794518512325819292</id><published>2008-04-04T12:54:00.000-07:00</published><updated>2008-04-04T12:55:29.998-07:00</updated><title type='text'>Serenidade ou Desapego?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Sabem, ultimamente eu ando mais calma. Talvez seja a idade. Talvez seja a meditação. Ou talvez sejam os oito longos anos de terapia que, de uma hora para a outra, começou a fazer efeito. O fato é que, de repente, as coisas não costumam mais me afetar como afetavam antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um tempo em que eu desejei ardentemente que isso me acontecesse. Eu costumava chamar esse ar “blasè” diante dos acontecimentos de “serenidade”. Manter a calma e a tolerância diante de qualquer situação. Até continuo achando que seja isso mesmo, serenidade... Mas ao mesmo tempo em que fico aliviada em perceber que eu não mais arranco fora todos os meus cabelos quando algo não acontece da forma que eu espero, às vezes tenho saudades do desespero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudades do desespero? Que coisa mais irracional... Mas há algo de apaixonante em estar desesperada. Há algo de profundamente passional em acreditar que, caso as coisas não corram da forma esperada, você vai ter um ataque, pular pela janela, morrer de desgosto. Com o tempo você aprende que as coisas não dependem sempre de você ou da sua vontade. E que quando não dependem de você, se você fizer o melhor que pode e não adiantar, paciência é o único remédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que o maior barato do desespero é você acreditar piamente que precisa de que algo externo aconteça para se sentir bem. Mas com as experiências você vai vendo que não pode depender de algo externo para ser feliz. Então, quando as coisas “de fora” não colaboram, você ainda conta com as coisas “de dentro” para segurar a barra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você aprende que nada é por acaso, e nem nada é definitivo. Por mais que seja absolutamente impossível pensar nisso quando você leva um fora de um carinha ou quando se dá mal no trabalho, em alguma parte do seu ser esta informação existe. Que você vai sofrer horrores, mas vai sobreviver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que ando sentindo falta de depositar os requisitos para ser feliz nas coisas “de fora”. Porque ter que contar com as “de dentro” é uma responsabilidade imensa. É uma responsabilidade imensa saber que depende de você ser feliz, que isso não é uma coisa que você possa negociar com uma outra pessoa, que possa comprar na esquina como se fosse um maço de cigarros, que possa implorar pra alguém como se fosse um chiclete, que possa esperar de alguém como se fosse um convite para jantar. Que ser feliz consigo mesma é, ao mesmo tempo, a tarefa mais fácil e mais difícil que existe na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que tudo isso não aconteceu de uma hora para a outra, como talvez eu possa querer aparentar, disfarçando as frustrações que eu tive na vida, camuflando meus erros e maquiando falsos acertos que eu possa ter cometido. É muito sofrido este processo, de se tornar uma pessoa serena. E algumas vezes chego a confundir essa tal serenidade com falta de crença de que as coisas possam ser boas. Como se fosse aquele calo que se forma no pé quando se joga capoeira há algum tempo. Na verdade está sendo lesado... Mas de tanto doer no mesmo ponto, a região endureceu e ficou insensível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que a serenidade na verdade é um sinônimo para desesperança? Nada mais te surpreende, nada mais te abala, nada mais te desespera. Não importa quanta dor esteja presente, você vai continuar a ser você, vai continuar a tocar a sua vida, vai continuar saindo para jantar com suas amigas, vai continuar viajando para a praia nos finais de semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você vai continuar a dar o melhor de si... E o que tiver que ser, será.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Fevereiro de 2005&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-5794518512325819292?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/5794518512325819292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=5794518512325819292&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/5794518512325819292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/5794518512325819292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2008/04/serenidade-ou-desapego.html' title='Serenidade ou Desapego?'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-6520217881345190105</id><published>2008-04-04T12:51:00.000-07:00</published><updated>2008-04-04T12:52:46.822-07:00</updated><title type='text'>Sexto Sentido</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Estava saindo com um carinha. Ele parecia ser uma pessoa muito legal, um homem bem diferente dos que andavam frequentando a lista de chamadas recebidas e feitas do meu celular. Tudo parecia estar indo às mil maravilhas, quando de repente, um dia, transamos. Quer dizer, não tão de repente assim, pois estávamos há dias nos amassando dentro do meu carro sempre que eu ia deixá-lo em casa. A transa foi boa... Não acho que a primeira vez com alguém seja uma ocasião orgástica, pois sexo bom, para mim, está intimamente relacionado com intimidade... Mas acredito que a primeira vez com alguém seja uma boa oportunidade para medir o potencial de sucesso – leia-se de orgasmos múltiplos – da relação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte ele teve a atitude correta, deixou uma mensagem no meu celular. No outro dia telefonei para uma amiga em comum, que namora com um colega dele do escritório, e ela estava com ele, conhecendo o apartamento recém alugado no qual o seu namorado e o meu gatinho iriam morar juntos. Depois de papearmos um tempinho, desliguei o telefone pedindo que ela lhe mandasse um beijo. Mas liguei novamente em seguida, e pedi para falar com ele, dizendo-lhe que havia mandado um beijo pela minha amiga, mas que havia ficado com vontade de mandar-lhe o beijo pessoalmente. Ele foi simpático e atencioso, contando dos detalhes do apartamento, que este ficava no décimo sexto andar do prédio e que ele morria de medo de altura... Mas no momento em que desliguei o telefone, passei a me sentir estranha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, no fundo, eu esperava que ele tivesse sido um pouco mais “pessoal” – o que significava um convite para sair ou ao menos um “vamos fazer algo esta semana”. E não uma descrição detalhada do apartamento, de como ele teve azar em ficar com o único quarto que não dispunha de armários, ou do medo que ele sentia ao olhar pela janela do apartamento. Comecei a me sentir insegura: será que agora, que a barreira final do conhecimento – o sexo – havia sido transposta, o interesse de estar comigo se manteria? Questões estas que se intensificaram no dia seguinte, enquanto conversava com o namorado da minha amiga pelo messenger, e ele me dizia que já dormiria no apartamento novo no feriado que se aproximava, pois o meu – “meu”? – gatinho e o outro colega de apartamento viajariam. A notícia me veio como um murro no nariz: ele viajaria? E eu, pensando em deixar de viajar para ajudá-lo na mudança?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sensação de fracasso que me acometeu logo em seguida foi algo simplesmente aterrador. Algo me dizia que a história tinha ido para o brejo. Ele não me procuraria mais, eu não teria a chance de verificar se a trepada dele era realmente boa ou se havia sido simplesmente “sorte de principiante”, eu não dormiria ou acordaria ao lado dele como havia imaginado, eu não viajaria com ele nem sequer uma vez para a praia e nem para sua cidade natal, eu não me casaria com ele e nem teria filhos que herdassem seu sobrenome – muito bonito, por sinal. Tudo isso por causa de um comentário do namorado da minha amiga: que ele talvez viajasse no feriado. Fiquei me sentindo uma neurótica maluca, ao ponto de cogitar telefonar para minha terapeuta e tentar uma “sessão emergencial” antes do final da semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este “algo me dizia”, que me dizia o que eu não queria ouvir, já havia entrado em ação e me dito outras coisas antes. Que eu seria sacaneada por uma amiga, que meu ex-namorado arrumaria uma atual novinha em folha dentro em breve, que uma ou outra historinha de amor não iria pra frente. E eu comecei a me perguntar: seria este o sexto sentido feminino? Eu realmente estaria tendo pressentimentos do que ia me acontecer – ou do que não iria? Seriam essas sensações realmente pressentimentos, o que faria de mim uma médium perdida na cidade grande, sub-utilizando minhas capacidades de previsão do futuro e desperdiçando-as em romances sem chance nenhuma de dar certo? Ou seriam esses pressentimentos representações de meus medos inconscientes – talvez pré-conscientes – de ser largada depois de ter feito sexo com uma nova conquista? Pior do que isso... Será que desde o princípio eu sabia que o romance não tinha futuro, mas que pelo meu desespero de finalmente encontrar um homem que me amasse, havia intencionalmente colocado uma venda na frente dos meus olhos, tentando “tapar o sol com a peneira” e ignorar a óbvia conclusão de que eu, cujo maior sonho era saltar de pára-quedas, nunca daria certo com um homem que afastava a cama da janela por um medo babaca e infantil de altura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu trabalhava em um hospital, tinha uma amiga nutricionista. Ela, uma meiga e simpática garota de 22 anos, solícita e delicada, era completamente apaixonada pelo médico-residente chefe do serviço, um homem de 26 anos. Mulherengo, extrovertido e narcisista em excesso, paquerava e bolinava todas as outras mulheres da equipe, enquanto minha amiga esforçava-se para nele continuar enxergando o genro que sua mãe havia pedido a Deus.&lt;br /&gt;Quando por ele foi rejeitada e trocada por uma enfermeira de 37 anos, ficou horrorizada ao se dar conta de que ele nunca fora o príncipe encantado no jaleco branco que ela sempre havia, nele, enxergado. Até que ponto nós, quando desejamos nos convencer de algo, conseguimos nos enganar e mudar a realidade a nosso favor, como se fôssemos psicóticos entorpecidos, que usam o delírio como um mecanismo de defesa na incapacidade de entrar em contato com a frustração advinda do meio? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentando, a todo custo, chegar à uma conclusão quanto a estas questões que me atormentavam, repassei mentalmente todos os encontros que eu havia tido com o meu ex-futuro-se-tudo-desse-certo-marido. Ele tinha uma profunda dificuldade em demonstrar carinho em público. Um dia fomos jantar com uns amigos seus do escritório, um casal que namorava há pouco mais de um ano. Lembro-me de como me senti, como se eu também fosse uma “colega” de serviço, tentando acompanhar o diálogo “advogadêz” que se desenrolava à minha frente, sem que ele nem ao menos pegasse na minha mão ou se esforçasse em traduzir-me o que estava sendo dito. Tímido em excesso, havia feito com que eu me sentisse extremamente tensa na ocasião em que conheceu meus amigos, pela sua absoluta incapacidade de se entrosar e manter uma conversa de dois minutos se eu, acaso, não estivesse por perto, facilitando o diálogo. Tinha opiniões contrárias às minhas em assuntos um tanto quanto conturbados como aborto, drogas e assassinatos decorrentes de abuso sexual. Tinha gostos absolutamente divergentes dos meus: enquanto eu adorava ir à praia pegar onda, jogar frescobol e tomar sol, ele preferia sentar-se confortavelmente em uma cadeira debaixo do guarda-sol e deliciar-se com loiras geladas – não eu saída do mar, mas as cervejas que, de quebra, davam um up grade em sua barriguinha. E por fim... o sexo. Encarei de frente o fato de que eu adoro ser mordida e ter os cabelos puxados durante o ato sexual. E ele... digamos que não era adepto do estilo “no pain, no pleasure”. E admitamos que ele não era, assim, tão bem dotado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me escandalizei diante do fato de que eu e ele nada tínhamos em comum. Mais uma vez, o que me ligava a ele era minha carência excessiva, meu desejo de encontrar um homem bom, inteligente e dedicado que me amasse e cuidasse de mim. E nada mais. Mais uma vez eu estava, por mera falta de opção, transformando um sapinho – bonitinho e bem cheiroso, era verdade – em um príncipe encantado que me salvaria de mim mesma e me daria um sentido e um objetivo na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E meu sexto sentido... Nada mais era do que a concretização de minhas certezas inconscientes (de que não daríamos certo pela absoluta falta de identificação), com uma pitada de masoquismo (ser abandonada para não abandonar), misturada com fantasias referentes ao meu potencial sexual (sou mesmo boa de cama?)... Levados ao fogo brando (o sexo que tivemos) por vinte minutos (míseros vinte minutos!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudei o foco do meu pensamento, voltei a me concentrar em minha viagem para a Austrália e prometi a mim mesma, que saltarei do maior bungee-jump do mundo, localizado em uma plataforma a 120 metros do chão, na Nova Zelândia. Bah, que medo de altura, que nada!!!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Maio de 2005&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-6520217881345190105?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/6520217881345190105/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=6520217881345190105&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/6520217881345190105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/6520217881345190105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2008/04/sexto-sentido.html' title='Sexto Sentido'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-2971806233027639566</id><published>2008-04-04T12:48:00.000-07:00</published><updated>2008-04-04T12:49:18.425-07:00</updated><title type='text'>Virtude ou Delírio?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Outro dia estava almoçando com uma de minhas melhores amigas. Eu contava mais uma de minhas desventuras da vida de solteira quando, ao final de minha epopéia, ela começou a me falar de esperança. Segundo ela, o problema não havia sido nada relacionado ao fato de que eu era muito falante enquanto ele era praticamente uma múmia, mas sim que eu ainda não tinha encontrado meu príncipe encantado, a tampa de minha panela, minha metade da laranja, minha alma gêmea. Me espantei com sua veemência no que dizia, e em como acreditava piamente no que falava. Seus olhos brilhavam ao discorrer sobre o tempo certo das coisas acontecerem, e eu tive a impressão de verificar certa insanidade no brilho deste olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí do almoço me sentindo muito estranha e realmente assustada. A certeza com que minha amiga falara sobre a esperança e o otimismo era quase tão absoluta quanto a confiança que os esquizofrênicos paranóicos têm em seus delírios, de que estão sendo perseguidos por Extra-terrestres, que implantaram chips em seus cérebros enquanto dormiam. Mais do que isso, ela parecia uma verdadeira viciada em drogas, ansiando por mais uma carreira de cocaína para aliviá-la da dor e do sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais percepções me deixaram pensando o dia inteiro na questão da esperança. Nos dias atuais, em que o pessimismo e a falta de crença imperam sobre todos nós, seria a esperança uma virtude? Ou, pelo contrário, seria o ato de se apegar à ela e à crença de que tudo-sempre-acaba-bem-no-final-e-se-não-está-bem-é-porque-ainda-não-acabou uma tentativa de fuga da realidade, a noção de esperança funcionando tal como uma droga que nos inebria a consciência da dor de não termos sido bem sucedidos em algo que desejávamos muito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a me lembrar de todas as vezes em que não havia me dado bem em um  relacionamento que era de meu interesse. Todas as vezes eu justificava para mim mesma que as coisas não tinham dado certo porque não eram para dar, que o homem em questão não era, de fato, para mim e que um dia tudo daria certo, eu conheceria o homem da minha vida, me casaria e com ele teria um belo casal de filhos. Mas foi somente quando vi minha amiga afirmar com toda a certeza do mundo que eu não deveria perder as esperanças e o otimismo que parei para pensar no quanto esta atitude representava, por outro lado, uma “muleta emocional”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, se a cada vez que as coisas não dão certo nos apegamos à esperança de que um dia elas darão, não estamos perdendo chances valiosas de nos questionarmos sobre os rumos que damos à nossas vidas? Se somos rejeitados por alguém que desejávamos muito e simplesmente não ligamos, amparados pela crença que de tudo-sempre-acaba-bem-no-final, não estamos deixando de entrar em contato com a dor e o sofrimento e, conseqüentemente, desperdiçando a oportunidade de aprendermos com nossos erros? O quanto a confiança de que um dia tudo dará certo, de que um dia seremos felizes não representa, por outro lado, nossa própria insegurança acerca de nós mesmos? Ao invés de nos questionarmos, nos avaliarmos e encontrarmos, talvez, em nossos próprios comportamentos e atitudes as verdadeiras causas de um romance não ter vingado, calamos todas estas indagações com a premissa básica de que “a esperança é a última que morre”. Esperança: virtude ou fuga da realidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa minha amiga alucinada que provocou em mim todos esses questionamentos é uma legítima representante da espécie “casamenteira”. Está noiva de anel e tudo, apesar do casamento estar marcado apenas para daqui há um ano e meio. Nunca conseguiu imaginar-se feliz se fracassasse no projeto “casar-se e ter filhos”. Fez faculdade mas nunca chegou a trabalhar. Chego até a me questionar o quanto sua intenção de estudar direito não foi motivada pelo número de homens que fazem o curso. E lá está ela, ostentando um brilhante solitário no dedo anular esquerdo. Ela, enfim, vai se casar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas mais do que se casar, ela quer que todas as suas amigas se casem. Seu maior passa-tempo é formar casais imaginários entre amigos seus. Não duvido nada que tenha até um caderninho dourado, onde anota todos os nomes de seus amigos e amigas solteiras, imaginando criativas análises combinatórias entre eles. Nunca foi bem sucedida, mas a sua esperança sim, esta, é a última que morre. Outro dia me telefonou me convidando para jantar com ela, o noivo, e um amigo dele, “recém-divorciado, bem sucedido e resolvido”. Depois de me torturar por alguns minutos, dizendo o quanto eu poderia estar impedindo que o “destino” agisse caso recusasse o convite, desliguei o telefone irritada e convicta de que não era o destino que eu estava impedindo de agir, e sim a ela mesma. Pela sua própria insegurança quanto a ser feliz independentemente de que um casamento ocorresse, não conseguia olhar para as amigas solteiras e felizes, que buscavam a própria realização em atividades outras que não significassem proferir o famoso “sim” de joelhos diante de um altar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que nesta vida, tudo pode ser representado por um copo de água cheio até a metade. Dependendo de quem observa, o copo pode tanto estar “meio cheio” quanto “meio vazio”. Fatos são fatos, o que muda é a interpretação dos fatos. E enquanto a esperança e o otimismo forem realmente características positivas, que nos impulsionam para a frente e para o ânimo de continuar buscando nossa própria felicidade, caberão à mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu não paro de me questionar não. Pode ser que não tenha dado certo porque não tinha mesmo que dar. Mas por via das dúvidas, em meu próximo relacionamento, vou falar menos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Março de 2005&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-2971806233027639566?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/2971806233027639566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=2971806233027639566&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/2971806233027639566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/2971806233027639566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2008/04/virtude-ou-delrio.html' title='Virtude ou Delírio?'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-771847634258600389</id><published>2008-04-04T09:53:00.000-07:00</published><updated>2008-04-04T09:58:58.439-07:00</updated><title type='text'>Quem vê beijo vê algo mais?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Eu conheço um cara muito legal. Divertido, dono de um ótimo senso de humor, generoso, inteligente, uma pessoa realmente agradabilíssima. Já tinha saído com algumas amigas minhas e agora, aparentemente, era a minha vez. Sempre que nos encontrávamos ele se mostrava interessadíssimo no que eu falava. Me mandava mensagens de texto, perguntando como havia sido meu dia. Até que, um dia, em uma festa, nos beijamos. Eu estava excitadíssima naqueles segundos que precederam o beijo. Um cara aparentemente legal, interessante, cheiroso e gostoso... Se aproximando, se aproximando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi com imenso pesar que constatei que ele beijava incrivelmente mal. A língua, dura e áspera, fazia movimentos de zigue-zague dentro da minha boca, entrava e saía... Como aqueles filmes antigos projetados quase que cena a cena, “pá-pá-pá”, sem uma continuidade, aquele “ueón-uéon-uéon”. Enfim: se eu fosse um homem e tivesse um pinto, ele teria amolecido naquele exato momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei-me imediatamente de outras situações em que tive a mesma – ingrata – surpresa. Algumas vezes cheguei a insistir em outras tentativas, mas não conseguia “ensinar” como é que se deveria fazer. Todas as vezes, a história acabava do mesmo jeito: o beijo sempre se transformando em uma corrida de bate-bate. E se acaso a coisa chegasse a se desenvolver sob os lençóis, piorava: o bate-estaca era tamanho que eu gemia de desgosto, rezando para que aquele sofrimento acabasse logo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversando com minhas amigas sobre esta questão, uma idéia me ocorreu. Seria o beijo algo aprendido? Seria possível que alguém “desaprendesse” a beijar mal e aprendesse a arte do “bem beijar”? Ou estariam, os movimentos necessários para um beijo escandalizante, submetidos à possibilidades musculares determinadas pela carga genética de cada um?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de uma aula que tive no cursinho, na qual fiquei sabendo que determinado movimento feito com a língua – algo como torcê-la dentro da boca e colocá-la em uma posição na diagonal – era uma coisa que somente algumas pessoas conseguiam fazer, já que esta possibilidade dependia da existência de determinado gene nos cromossomos da pessoa. Assim, talvez um beijo bom – determinado pelos movimentos sincronizados e sintônicos de lábios e língua – também poderia ser genético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pude deixar de pensar como isso seria injusto! Maus beijadores nunca o deixariam de ser, mas existiria uma possibilidade que seus filhos fossem bons beijadores, caso esse gene fosse recessivo e o mau beijador tivesse filhos com uma pessoa que beijasse bem. Mas será que uma pessoa que beija bem se contentaria em casar e ter filhos com uma que beijasse mal? Até que ponto beijar bem ou mal é importante para o estabelecimento de uma relação entre duas pessoas? Eu nunca conseguiria namorar com uma pessoa com o tipo de beijo que descrevi no início. Alguém conseguiria? Mais do que isso: será que o tipo de beijo não é uma forma de seleção natural? Se o beijo diz algo referente à carga genética de cada um, beijar bem ou mal poderia dizer muito sobre a compatibilidade entre duas pessoas – e compatibilidade genética, atentem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai é um grande fã da psicologia evolutiva. Nesta área da psicologia, conceitos pregam que existem determinados comportamentos que decorrem de necessidades inerentes aos mecanismos de evolução e preservação da espécie humana sobre a Terra. Como se, passados milhares e milhares de anos, nossos cérebros e mecanismos “instintuais” continuassem funcionando como se ainda fôssemos homens das cavernas. Outro dia ele me mandou um artigo muito interessante, falando as razões pelas quais escolhemos homens de determinados tipos físicos. As escolhas sempre recaem em mecanismos inconscientes que visam a existência humana sobre a Terra: homens mais altos do que as mulheres são escolhidos por elas pois poderiam protegê-las, e à cria, melhor... E a paixão dos homens por mulheres “popozudas” seria justificada pelo simples fato de que mulheres de ancas largas seriam melhores parideiras. Seria o beijo algo denunciador de algum tipo de compatibilidade extremamente importante para a manutenção da vida humana sobre a Terra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez algum dia eu escreva uma tese de doutorado relatando minhas investigações sobre o assunto. Por ora, fica a convicção de que, se o beijo nada disser sobre a carga genética de cada um, certamente o faz sobre a personalidade dos beijadores. Em mais de uma ocasião já notei que pessoas que beijam mal são mais travadas e passivas diante da vida, enquanto as que beijam bem são mais desenvoltas e seguras de si. E viva o “uéon-uéon-uéon”!!!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Abril de 2005&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-771847634258600389?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/771847634258600389/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=771847634258600389&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/771847634258600389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/771847634258600389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2008/04/quem-v-beijo-v-algo-mais.html' title='Quem vê beijo vê algo mais?'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-5626451286756552480</id><published>2008-04-04T09:50:00.000-07:00</published><updated>2008-04-04T09:51:52.509-07:00</updated><title type='text'>Perguntas sem Respostas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Então a coisa acontece da seguinte forma. Você está saindo com um cara legal, que te liga sempre, que gosta de coisas das quais você também gosta, que tem uns amigos legais, com os quais você se dá bem, que tem projetos de vida mais ou menos parecidos com os seus e com o qual você se deu bem na cama. Nos últimos tempos ele até anda te chamando de “meu amor”; em suma, um cara que parece gostar de você, que parece se importar com os seus sentimentos e que parece contar com disponibilidade interna para se envolver e, de fato, construir um relacionamento.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de repente, não mais do que de repente, ele desaparece. Fala que vai ligar e não liga. Você, obviamente, fica esperando o telefone tocar com o coração na mão, mas ele não toca. Quando chega em casa ouve ansiosa os recados da secretária eletrônica, mas nenhum é dele. Até se envergonha da esperança que tem de ele aparecer de repente na sua casa, ou de passar pela portaria e ser surpreendida pelo porteiro com um arranjo de flores deixado por ele. Mas nada disso acontece. E então, se tiver um único traço de insegurança apenas – e quem não tem? – começa a se perguntar: “O que eu fiz de errado? Onde foi que eu errei?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começa então a relembrar cada detalhe do último encontro, as coisas que você disse, as brincadeiras que fez, as frases soltas e aparentemente sem significado que disse ao pretendente. Mas nada disso responde às suas perguntas. Começa a se lembrar de cada frase que ele disse, alguma pista que possa explicar o motivo de ele ter desaparecido. No auge do desespero, talvez ligue surtada para uma amiga e transfira para ela a responsabilidade de esclarecer o mistério. Talvez até peça para ela ligar no celular dele, um número que apareça na bina dele e que ele não conheça, só para ver se ele está vivo e não te ligou por ter sofrido um acidente grave, talvez até tenha morrido. E se ela ligar, e ele não tiver morrido, nem sofrido nenhum acidente que o tenha paralisado do pescoço para baixo – afinal, a única desculpa aceitável  para ele não ter colocado os dedinhos para funcionar e ter discado o seu número – aí sim é que as dúvidas a atormentarão durante muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menos que você passe por cima de seu orgulho, de seu ego ferido, e ligue para o desgraçado e pergunte o porque de ele ter desaparecido, a pergunta continuará sem resposta. Mas não vai deixar de existir. Dia após dia você vai se lembrar de como acreditou que desta vez seria diferente, de que você prometeu a si mesma que desta vez faria tudo certinho, que não se atropelaria e que não colocaria o carro na frente dos bois. Que faria tudo o que estivesse ao seu alcance para jogar o jogo corretamente e ganhar o cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme-se com a dura realidade: nem sempre você pode tudo. Na verdade,  tanto as promessas de que desta vez seria diferente e que faria tudo certo, quanto o inconformismo diante do fato de não saber o que aconteceu para o homem dos seus sonhos sumir são diferentes manifestações de mesmo conteúdo: a ilusão de que podemos controlar as situações, de que tudo está à nosso alcance, de que, se nos concentrarmos e nos esforçarmos e nos dedicarmos conseguiremos tudo, fazer quem bem entendemos se apaixonar por nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as coisas não são assim. Aceitar as próprias limitações, que nem sempre as coisas saem do jeito que queremos, que não é só porque decidimos que desta vez vai ser diferente que de fato assim o será é um indício importante e significativo de maturidade. Talvez você não tenha feito nada de errado, talvez o cara tenha sumido por motivos que dizem respeito apenas a ele próprio, e não à você – e quem disse que você é o centro do universo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuar com esses questionamentos – o que fiz de errado, porque será que ele sumiu, porque será que minha melhor amiga me traiu, porque será que não consegui tal vaga de emprego? – só serve para que você se magoe ainda mais, só serve para cronificar uma dor que pode ser aguda e passar logo, se você for capaz de perceber que nem sempre você tem o controle de tudo nas suas mãos. Às vezes as pessoas somem porque somem, traem porque traem, não te dão o emprego porque não dão, e talvez nada disso tenha a ver com uma atitude sua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas perguntas sempre vão ficar sem resposta, e às vezes é melhor que assim fiquem. Aceitar que nem sempre temos respostas para tudo é imprescindível para crescer mos e nos tornarmos pessoas melhores. Porque os Flintstones comemoram o Natal se existiram em uma época anterior à Jesus Cristo? Porque o Cebolinha e o Cascão chamam a Mônica de baixinha se têm a mesma altura que ela? Porque o filme Missão Impossível tem esse nome, se até hoje – e nas duas seqüências – teve um final feliz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Responda a essas se for capaz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Março de 2005&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-5626451286756552480?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/5626451286756552480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=5626451286756552480&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/5626451286756552480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/5626451286756552480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2008/04/perguntas-sem-respostas.html' title='Perguntas sem Respostas'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-3452589574484945369</id><published>2008-04-04T09:16:00.001-07:00</published><updated>2008-04-04T09:16:54.857-07:00</updated><title type='text'>Paixonite</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Outro dia estava na academia, e entre uma série e outra de detestáveis exercícios, peguei-me ouvindo o papo de duas meninas, que se matavam em outro aparelho de musculação. Meus ouvidos apurados de psicóloga e minha atenção flutuante permitiram com que eu prestasse atenção nas duas coisas ao mesmo tempo; em meus esforços físicos e no esforço mental que uma das meninas fazia para explicar a outra o que estava sentindo por um paquera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina dizia que não conseguia pensar em outra coisa; tudo a fazia lembrar do pretendente. Uma música, um clipe musical, um perfume, um carro. Contava ela, às gargalhadas, que comprara uma revista de esportes só para ficar por dentro do que acontecia ao time de futebol do cara. Havia comprado até uma blusinha nova, porque no dia seguinte talvez encontrasse o rapaz na faculdade e talvez ele reparasse seu bom gosto ao vestir-se. Ficava imaginando se os sobrenomes, seu e do menino, combinavam juntos no nome que ela já havia escolhido para o filho de ambos. A outra menina ria. Dizia que ela estava apaixonada, ao que a outra discordava. Estava com paixonite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase explodi em risadas ao pensar no significado deste novo e intrigante termo. Todo pós-fixo “ite” imprime à palavra um sentido de doença. E tive de concordar que estes estados amalucados, quando nos mega empolgamos com um romance novo, têm lá mesmo um algo de doentio. É quase como se fosse uma infecção. Somos infectadas pela idéia fixa que atende pelo nome do pretendente. Nada nos faz parar de pensar nele. Nos envergonhamos quando nos damos conta de que parecemos adolescentes encantadas com o primeiro amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de quando tive minha primeira paixonite. Eu tinha 12 anos e era completamente maluca por um menininho da praia, amigo de uns moleques da minha rua. Ele era lindo. Tinha a bicicleta mais moderna e possante de todas. Adorava Heavy Metal e tinha umas camisetas lindas do Metallica. E eu não conseguia parar de pensar nele. Imaginava nós dois andando de bicicleta pela calçada da praia, tomando um sorvete; ficava imaginando como seria nosso primeiro beijo – eu nunca tinha beijado na boca antes. Imaginava até como ele se sentiria orgulhoso de mim quando eu ganhasse dele no vídeo game. Ai ai, a primeira paixonite a gente nunca esquece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para efeitos de curiosidade, nunca beijei o dito-cujo na boca. Beijei um outro menino antes, só para saber como é que se fazia,  mas tive o azar de ter sido flagrada pela minha paixonite em plena beijocação no quebra-mar  Nos tornamos grandes amigos, o que somos até hoje. Mas nunca vou me esquecer daquela sensação... De toda aquela  atividade imaginativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que quando viramos gente grande, deixamos um pouco de lado a imaginação. Somos guiados muito mais pelo real e pelo concreto; é incrível como acontece freqüentemente de pacientes minhas me contarem, envergonhadérrimas, seus devaneios paixoníticos. Uma me dizia outro dia que sua paixonite era um gato, que tinha o nariz um pouco adunco, era verdade, mas que nos filhos a sua própria genética nasal contrabalancearia a dele. Estacou de repente, parecendo dar-se conta do que havia dito. Ficou roxa. Não pude deixar de colocar minha neutralidade de canto para rir junto com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque não nos permitir devanear de vez em quando? Somos adultos, claro, e sabemos que imaginar é uma coisa, e idealizar é outra. Qual é o problema de, no meio de uma tarde aborrecida de trabalho, escrever como quem não quer nada, em um pedaço de papel, o seu nome com o sobrenome do paquera? Qual é a grande questão de imaginar, enquanto se mata na esteira da academia, como seria a lua de mel de vocês? Quem é que nos proíbe de, vez ou outra, imaginar a fisionomia que teriam os pimpolhos, frutos do casamento de vocês?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tiver a oportunidade, observe uma criança pequena brincando. A atividade imaginativa e criadora de uma criança é algo fascinante. Se tiver a chance, experimente brincar com ela. Solte sua imaginação, lembre-se de quando você era pequeno e passava horas brincando de Barbie, ou de Comandos em Ação, se for homem. Libere seus pensamentos, perca-se na sua imaginação. É algo fantástico, que de certa forma faz com que você se sinta mais leve, mais sereno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida já é muito séria e severa. Permitamos- nos ter nossas paixonites de vez em quando. Não nos reprimamos. Não havia repressão nas brincadeiras com bonecas, tudo era permitido. Liberte-se de seu racional e construa imagens agradáveis em sua cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja criança novamente, brinque com a vida real, na qual a boneca é você. Levar a vida tão à sério desgasta, pira e cansa. Brinque de imaginar seus desejos se realizando. Não é proibido, não se paga taxa e nem imposto nenhum e faz um bem danado à saúde.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Março de 2005&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-3452589574484945369?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/3452589574484945369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=3452589574484945369&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/3452589574484945369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/3452589574484945369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2008/04/paixonite.html' title='Paixonite'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-8979625239950182912</id><published>2008-04-04T09:12:00.000-07:00</published><updated>2008-04-04T10:02:20.819-07:00</updated><title type='text'>Alta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Todos os que convivem minimamente comigo sabem da importãncia crucial que a análise sempre teve na minha vida. E lá se vão 9 anos, comparecendo semanalmente às minha sessões de terapia, em um consultório fofo na arborizada Vila Madalena. Fofo mesmo. O consultório é todo decoradinho, fresco e iluminado. Plantas e flores por todos os lados. O chazinho de erva-cidreira que a Mira, a faxineira, sempre deixa á minha espera. Eu costumo chegar sempre alguns minutinhos antes do horário, para fumar um cigarro tranquilamente sentada no banco do lado de fora, cinzeiro no colo, pensamentos a desfilar pela minha mente, brigando entre si pelo posto do primeiro a ser verbalizado naquele dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sempre a análise é um mar de rosas. Muito pelo contrário, consigo puxar da memória sessões terríveis, em que me deparei com meu lado mais sombrio e doente. Não ouso entrar no amago da questão de porque é que comecei, afinal, a fazer análise, mas afirmo do alto de minhas tamancas que naquela sala, sentada naquela poltrona marrom de couro, vivi os piores momentos da minha vida. Mas também os melhores. Momentos nos quais eu realmente tomava contato comigo mesma, momentos em que eu saía me sentindo revigorada e reencorajada para o mais difícil do viver: aprender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como aprendi sobre mim mesma!!! Aprendi a ser imperfeita, aprendi a conviver com os meus fantasmas, aprendi a aceitar, muitas vezes, o inaceitável. Aprendi que, por mais que eu tenha errado na minha vida, todos os meus erros foram decorrentes de tentativas de acertar e, assim, aprendi a me perdoar. A perdoar a mim mesma e aos outros, que em sua imperfeição, também sempre tentam acertar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;Tem vezes, na terapia, que você sente que está estagnado. Que já faz um tempão que você deu seu último importante passo, que poderia caminhar mais mas que está estacionado. Eu tive esses meus momentos, mas sempre com a certeza e a confiança de que este momento, como tantos outros, também passaria, e que mais cedo ou mais tarde, eu retomaria meu caminho rumo a mim mesma. Nestes momentos eu sempre pensava em como seria parar de fazer análise. E eu sempre me desesperava diante desta possibilidade; não, eu continuaria em terapia para sempre, até um dia em que eu me tornaria perfeita e, aí sim, receberia alta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu recebesse alta, eu seria uma pessoa serena, calma, controlada e tranquila. Não me desesperaria diante de besteiras; não estranharia mais meus pensamentos, pois eu me conheceria tanto que nada em mim seria digno de surpresa; não teria mais inveja ou qualquer outro tipo de sentimento negativo pelas pessoas; não teria mais medo de amar ou de me entregar ou de me doar; seria, como eu mesma o disse tantas vezes, uma panela com tampa. Me bastaria e não precisaria de mais ninguém para me sentir completa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois duas semanas atrás, eu fui para a terapia. E comentei com a minha ilustríssima analista que eu sentia que talvez precisasse de um tempo sozinha, sem terapia e nem terapeuta, somente eu mesma e minhas possibilidades e capacidades pessoais. Eu disse isso realmente acreditando no que dizia, mas no fundo no fundo imaginava que ela iria me negar esta possibilidade; que iria me dizer que eu estava em um momento complicado da minha vida, e que este meu desejo de “dar um tempo” seria provavelmente oriundo de resistência. Que eu não tinha condições ainda de caminhar sozinha, e que inclusive ela vinha pensando seriamente em aumentar as minhas sessões para duas vezes por semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela concordou comigo. E me disse que achava que 9 anos era realmente muito tempo, que estava mais do que na hora de caminhar sozinha e que, neste tempo todo, realmente havíamos chegado ao cerne da questão e que, por hora, não havia mais o que ser trabalhado. Disse-me que pensava, talvez, que eu devesse pensar em um outro tipo de terapia. Talvez em procurar um analista homem, ou fazer terapia em grupo. Mas que até mesmo estas possibilidades eram para o futuro, e que ela achava que eu estava pronta para obter alta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até agora não sei o que senti naquele momento. Por um lado, alegria imensa. Alegria por estar sendo intitulada capaz de cuidar de mim mesma. Alegria por ouvir, do meu “sujeito suposto saber”, que eu estava apta a interromper o processo. Alegria por ter sido “aprovada” sã, oficialmente sã, documentadamente sã. Mas por outro lado, o medo também foi enorme. O medo pela responsabilidade enorme de ser capaz de me virar sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o medo é menor do que a alegria. É estranho, realmente, sentir-me “normal”; eu nunca me senti assim. Antes da terapia eu era a doida que precisava fazer terapia, e durante o meu processo de análise eu era a doida que precisava continuar fazendo terapia. Agora sou a doida recuperada, que consegue se virar bem sem terapia. E lá vamos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado é você ser a doida, este último tipo de doida, a recuperada, tendo plena consciência de que não é nem o ser mais calmo e nem o mais controlado do universo. Engraçado pensar que o máximo que poderia ter sido trabalhado o foi, e que nestes 9 longos anos eu caminhei para chegar exatamente onde estou agora. Apta a me virar sozinha. Mas apesar de ser tudo muito diferente do que eu imaginei para a minha “alta”, não posso dizer que esteja ruim. Muito pelo contrário, estou muito bem. Até as minhas nóias, coisa que eu sempre imaginei que fosse pensamento de gente doida, agora me parecem coisas de gente doida recuperada, e tenho me sentido mais normalzinha. Os desafios, que tanto me assustavam antes, agora me parecem ser desafios feitos sob medida para as minhas possibilidades e capacidades de doida recuperada. As frustrações, que antes tanto me agrediam, hoje me soam aos ouvidos como inevitabilidades da vida – afinal, imaginar que algum dia eu receberia alta me sentindo ainda tão imperfeita, seria algo extremamente frustrante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que ainda tenho muito o que caminhar. Sim, pois apesar de abrir mão da perfeição, não o abri de evoluir, de crescer, de me melhorar. A serenidade e a tranquilidade ainda são estados que almejo alcançar. Mas até para isso me sinto mais tranquila. Tranquila até pelo fato de que sei que a minha ilustríssima continuará lá caso eu tenha uma recaída e precise de uma lanterna em meio à escuridão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sabem... Meus olhos estão se habituando bem à esta pseudo-luminosidade...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Maio de 2005&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-8979625239950182912?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/8979625239950182912/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=8979625239950182912&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/8979625239950182912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/8979625239950182912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2008/04/alta.html' title='Alta'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-441262116332718728</id><published>2008-04-04T09:09:00.000-07:00</published><updated>2008-04-04T09:10:35.786-07:00</updated><title type='text'>Limpando o Caixa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Na grande maioria das vezes, após o término de um relacionamento, muitas pessoas ficam com a cada vez mais conhecida síndrome pós-trauma amoroso, que em leigos termos significa pavor a qualquer relacionamento mais duradouro. O problema é que justamente quando estamos em tal momento de vida, funcionamos como ímans para aqueles que estão no momento oposto, querendo se relacionar de forma séria e adulta com outra pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fazer? Ao término de um longo relacionamento, o mais comum é que as mazelas sofridas durante o envolvimento estejam absolutamente vívidas em nossa memória. Quantas vezes não nos pegamos falando do ex como namorado, ao invés de ex-namorado? Quantas vezes ainda nos sentimos imersos no turbilhão de sentimentos que acabou por culminar no término do relacionamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é aí justamente que aparece aquele cara aparentemente perfeito, que nos trata como  princesas, que fala aquilo que justamente gostaríamos de ouvir, que se preocupa com o fato de termos, ou não, tido um bom dia. E então surgem as dúvidas: será que já estou no momento de me envolver novamente com alguém? Será que já superei a fase das comparações – na qual ao primeiro indício de similaridade entre o pretendente e o ex queremos nos mudar de bairro, cidade, país?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amigo meu me disse a coisa mais sábia sobre relacionamentos – e ex-relacionamentos – que já ouvi na vida. Muito perspicazmente, me disse que ao terminar um relacionamento devemos sempre fechar o livro da história vivida. Usar as experiências aprendidas, sim, mas não fazer dos erros cometidos no passado – nossos, e da ex-pessoa – fatores que venham a interferir em relacionamentos futuros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos a tendência de reatualizar sempre as mesmas questões em relacionamentos distintos. Porque, na verdade, estas questões dizem algo de nós mesmos na interação com uma outra pessoa, e não da própria pessoa em si. Isso significa que não é só porque o seu ex não era companheiro, não te passava segurança, que você tem que namorar com o primeiro que demonstre um pingo dessas características. Questione a sua capacidade de ser companheira de si mesma. Você não deve achar que só porque o pretendente atual e o ex são do mesmo signo que possuem a mesma personalidade. Questione com o que você se sente mais tentada a conviver. Ou então, que não é só porque a historinha atual apresenta uma série de estranhas coincidências – tipo você pensar no cara com quem saiu alguns meses atrás e de repente encontrá-lo numa balada nada a ver – que ele seja o homem da sua vida. Questione se, na verdade, você não acreditou na historinha do príncipe encantado no cavalo branco, esperando encontrá-lo um dia na vida real. Pois não existem príncipes encantados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando saímos de um longo relacionamento, temos a tendência de não nos permitirmos conhecer de fato a outra pessoa. Não é porque o cara não tem os mesmos defeitos que o anterior que já vale à pena investir suas preciosas energias nele; não é só porque tem um defeito que você nunca conceberia no seu homem ideal que não serve para você. A liberdade pode ser maravilhosamente fascinante num primeiro momento, mas se não tiver definitivamente fechado o livro anterior e aberto um novinho para ser preenchido a partir de agora, provavelmente vai acabar caindo em uma armadilha armada por você mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois se não aguardamos o tempo preciso para limpar o caixa, para superar de fato a frustração do relacionamento anterior não ter dado certo, corremos um sério risco de nos apegarmos a pessoas idealizadas, as quais nem conhecemos tão bem para considerarmos tão perfeitas. Uma série de expectativas que foram abandonadas em relação ao ex serão reativadas. Ou talvez comecemos a exigir que o atual se comporte como o ex nas situações nas quais gostávamos da forma-conduta do anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não devemos fazer do atual um tapa-buraco da relação anterior. Querendo ou não, há pouco tempo sozinha você ainda carrega consigo bagagens desta relação. Que podem contaminar a relação atual – se bobear, logo no início – com expectativas indevidas, idéias infundadas e cobranças descabidas. Devemos ser cautelosos sim, mas sempre dispostos e receptivos a, de fato, conhecer a outra pessoa. Suas qualidades, seus defeitos, sua riqueza e sua fraqueza. E isso ocorre lentamente, com o passar do tempo. Pois somente assim poderemos checar se aquilo que temos em mente sobre ela confere ou não com a realidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Ninguém sabe se há um final feliz para todos nesta vida; mas se ao final de tudo você for capaz de olhar-se no espelho e enxergar apenas a sua imagem refletida, já está bom demais.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Novembro de 2005&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-441262116332718728?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/441262116332718728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=441262116332718728&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/441262116332718728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/441262116332718728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2008/04/limpando-o-caixa.html' title='Limpando o Caixa'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-4545400612474662515</id><published>2008-04-04T09:01:00.000-07:00</published><updated>2008-04-04T09:05:02.445-07:00</updated><title type='text'>Amélias Modernas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Nós somos Amélias Modernas. O que não significa que sejamos totalmente Amélias, e nem completamente Modernas. As Amélias Modernas representam uma importante parcela da população feminina atual, que vive um momento interessante de reinvenção e de auto-aceitação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos Amélias quando gostamos que nos abram a porta do carro, e Modernas quando dispomos de nossos próprios carros para fazermos o que quisermos. Somos Modernas quando saímos entre amigas, e gastamos uma fortuna em um restaurante descolado, mas Amélias quando queremos que eles se ofereçam para pagar a conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Moderna que há em nós ousa na hora de se vestir, mas é a Amélia que ouve os elogios. Já a Amélia olha de soslaio, com ar de quem não quer nada, para o homem lindo do outro lado do bar; mas quando ele se aproxima e puxa papo, é a Moderna que resolve pedir o telefone dele, ao invés de dar o seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que Amélia não tinha a menor vaidade, apesar de ser a mulher de verdade. Nós somos vaidosas ao extremo. Não pensamos duas vezes na hora em que uma cirurgia plástica parece ser a melhor opção para que nos sintamos cada vez mais bonitas. Mas ao invés de nos arrumarmos e malharmos e nos cuidarmos para os outros, fazemos tudo isso para nós mesmas. Para que nos sintamos cada vez mais bonitas, cada vez mais felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Amélia que há em nós nasceu no século 20, e é a Moderna que está se tornando mulher de verdade em pleno século 21. E são tão contraditórias entre si que às vezes temos algum trabalho em conciliá-las; o conceito de Amélias Modernas ainda não é muito bem compreendido pela nossa sociedade, que vive um momento de transição entre a repressão Ameliana e a libertinagem Moderna. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas mulheres ainda se mascaram, escondem-se atrás de rótulos bem comportados. Mas quando a noite cai e todas as gatas são pardas, revelam a Pantera que existe dentro de si, requebrando sensualmente em anônimas pistas de dança, ou fazem apelativos e stripteases, protegidas pelas web cams. E lá estão elas, na manhã seguinte, dentro de seus terninhos engomados e muito bem passados. Os bolsos cheios de embalagens vazias de preservativos; a cabeça, confusa e envergonhada pela noite passada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raras são aquelas que assumem-se verdadeiras Panteras. Raras são aquelas que não se escondem dos olhares alheios seu próprio olhar, faminto, cheio de desejo. A grande maioria prefere manter o discurso de sobriedade e tradicionalismo, ainda que saiba que é apenas isso: um discurso rebuscado, mas pobre em conteúdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser uma Amélia Moderna pode se transformar am algo assustador, principalmente aos olhares masculinos. Os homens parecem estar mais perdidos do que nunca, diante destas mulheres que não parecem mais precisar deles para nada. Elas trocam os próprios pneus, pintam as próprias paredes com a mesma destreza com que pintam as unhas. Ela desempenham tarefas que anteriormente eram de exclusividade masculina, e o fazem tão bem quanto pesquisam o menor preço no supermercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o fato de não precisarmos mais dos homens para estas tarefas não elimina o desejo de tê-los por perto. Assim como uma Moderna, por mais Amélia que seja,  não precisa de um homem para trocar uma lâmpada, não há Amélia Moderna que não adoraria ter um por perto para fazê-lo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens precisam entender que não é porque não precisamos de algo que deixamos de desejá-lo. Encontrar um homem para nos aquecer a cama é muito fácil. Mas ter o coração aquecido vem se tornando cada vez mais difícil. Mas enquanto não o temos, seguimos com nossas vidas, malhando, trabalhando, nos divertindo... enquanto o lindo Príncipe Encantado não chega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E onde estão os Príncipes? Mais do que Encantados, onde estão os Príncipes Modernos?&lt;br /&gt;Acuados, assustados, defendidos, a grande maioria dos homens teme se envolver com as Amélias Modernas. Parece que os homens ainda não conseguiram sair da posição de “indispensáveis”, de “necessários”... Temem envolver-se com mulheres que, aparentemente, não precisam mais deles. Ainda não aprenderam que por mais que algumas coisas mudem, outras permanecem sempre iguais... O desejo de ter um homem que possa ser nosso para sempre ainda persiste, dentro de nós. Queremos nos casar, constituir família, ter filhos que cresçam em um lar estável e estruturado. Mas não topamos mais pagar qualquer preço para isso, simplesmente porque não precisamos.&lt;br /&gt;Queremos ser respeitadas, antes de sermos amadas. Vivemos em uma sociedade extremamente hipócrita, com seus homens de meia idade muito bem casados, que jantam com suas famílias sentados á mesas muito bem arrumadas... E que às vezes, no meio de uma tarde de quarta-feira, podem ser encontrados no mais elegante motel, comendo a secretária. Uma sociedade que prega que se o homem cumpre com seus deveres como marido, a esposa deve estar satisfeita; não somos mais obrigadas a nos satisfazermos com pouco. Não queremos mais ter nossa inteligência subestimada. Será que é pedir demais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que mulheres são como maçãs... Que as melhores estão no topo da árvore, e que os homens não querem alcançar essas boas, porque temem cair e se machucar. Que preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir. As maçãs do topo pensam que há algo de errado com elas, quando na verdade ELES estão errados. Não nos incomodamos em esperar um pouco para que o homem certo chegue, aquele que é valente o suficiente para escalar a árvore... E que não tenha medo de altura. Nem da altura da árvore, e nem de nossa própria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Agosto de 2004&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-4545400612474662515?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/4545400612474662515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=4545400612474662515&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/4545400612474662515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/4545400612474662515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2008/04/amlias-modernas.html' title='Amélias Modernas'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-1506215223786607812</id><published>2007-12-21T18:57:00.000-08:00</published><updated>2007-12-21T18:59:05.133-08:00</updated><title type='text'>Caindo fora</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Estava atendendo a um paciente, dia desses. Ele me falava sobre a angústia que experimentava todos os dias pela manhã, quando acordava e pensava em ter que ir trabalhar. Não agüentava mais seu emprego. Não tolerava mais sua empresa. Não suportava mais seu chefe. Acordar, todos os dias, fazer sempre o mesmo trajeto rumo ao trabalho, vestir sempre o mesmo uniforme, encontrar sempre as mesmas pessoas, vender sempre o mesmo produto; tudo isso havia se tornado seu maior sofrimento. Acabava descontando na comida, devorando tudo o que via pela frente; vinha sendo rude com a esposa, agressivo com os amigos. Sua pressão, que já não era das melhores, vivia nas alturas. Seu sono era agitado, repleto de pesadelos e de imagens desagradáveis. Os finais de semana, de momentos de prazer, haviam se transformado em prenúncios de sofrimentos, uma mórbida contagem regressiva para o reinício de uma sempre igual e intolerável semana... E ele me questionava: “Doutora, qual é o momento certo de cair fora?”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes nos deparamos com situações como essa; seja no trabalho, quando não mais nos sentimos motivados a dar o sangue por um ideal que já não nos representa mais nada; seja em uma discussão, quando percebemos que por mais que tentemos, não conseguiremos fazer com que o outro se convença de nosso ponto de vista; seja em um jogo de azar, quando percebemos que estamos arriscando mais do que podemos ganhar. E isso também pode acontecer – e acontece muitas vezes – na vida pessoal. Como saber o momento certo de romper uma amizade? Ou de cair fora de um relacionamento amoroso? Como identificar aquele momento em que contamos com dados suficientes para podermos nos sentir aptos a tomar uma decisão? Como saber ao certo que momento é este, momento crucial em que exercitamos nosso livre arbítrio, em que optamos por uma coisa, e o preço a se pagar é a perda de outra?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tomar decisões é sempre muito difícil. E a dificuldade decorre da inevitabilidade de que, ao optarmos por um caminho, abrimos mão de todos os outros. E perder é sempre muito difícil. Para os antigos e sábios povos Celtas as encruzilhadas eram locais sagrados. Isso porque as encruzilhadas representavam ocasiões em que o livre-arbítrio poderia ser exercitado. Poder escolher seu caminho, escolher seu rumo, tudo isso era sagrado, manifestações do poder da vontade, do desejo. Ao escolher um caminho, automaticamente se desprezava um outro. Os antropólogos dizem que é justamente por esta virtude que as encruzilhadas são os locais escolhidos para a realização de “trabalhos mágicos”, vulgarmente conhecidos como macumbas. Pois estes lugares são marcados por grandes concentrações de energia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Realmente optar pela perda – de um trabalho, de uma amizade, de um relacionamento amoroso – é uma decisão que deve ser muito bem pensada e elaborada, pois muitas vezes acarreta uma impossibilidade de voltar atrás. Mas a perda envolvida no assunto não deve ser o que vem a impedir a tomada de atitude. Em muitas ocasiões, não tomamos atitudes como essa por acomodação. No caso do meu paciente, ele tinha muito medo de se ver em uma situação de insegurança. Começar em um trabalho novo, no qual não conheceria as pessoas, no qual seria um “corpo estranho”, recém-colocado. Será que se relacionaria bem com os novos colegas? Será que contaria com a liberdade que tinha antes com seu antigo chefe? Será que o retorno financeiro seria bom? Na verdade era o medo do novo que o impedia de tomar a decisão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma amiga que demorou um ano para terminar um relacionamento de três anos e meio. Outra ficou quase cinco anos com o mesmo cara, dos quais dois agonizou uma dúvida sem fim sobre se deveria ou não continuar namorando. Eu mesma creio ter esperado muito tempo para terminar alguns relacionamentos, temerosa do grande ponto de interrogação que representava o novo. Muitas vezes é apenas o medo de uma situação nova que nos mantém presos a uma antiga que não está mais nos fazendo bem. É paradoxal, mas por mais que desejemos que uma mudança ocorra, é justamente por medo desta mudança que não tomamos uma atitude que ponha fim ao nosso sofrimento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É natural temer aquilo que não se conhece. Toda situação nova é causadora de estresse, já me disse meu pai, um apaixonado pela psicologia evolutiva. Para nos livrarmos da ansiedade, nosso sistema nervoso está acostumado, fruto de anos e anos de evolução, a se livrar de toda e qualquer situação causadora de estresse. É por isso que temos a tendência – pelo menos a grande maioria de nós – a rejeitar, no início, qualquer situação que represente novidade, que simbolize a insegurança e o não–saber. É por isso que, muitas vezes, esperamos que a situação se torne insustentável, insuportável e intolerável para que tomemos, enfim, uma atitude. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Só que, em se tratando de relações humanas, isso representa um grande perigo. É como se, enquanto esperamos o momento certo de agir, fôssemos espremendo um limão. Agüentamos a angústia e a incerteza do que fazer enquanto alguma gota de suco ainda puder ser extraída. Quando não há mais nada senão o bagaço, colocamos um fim à situação ansiógena. Do limão, só resta o bagaço. E o que se faz com um bagaço de limão? Joga-se fora. O que mais pode-se fazer com um bagaço, que já não serve mais para nada?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E transpondo-se isso para o mundo das relações humanas... Será que por uma relação não ter dado certo, o melhor a se fazer é simplesmente jogá-la fora? Será que se formos capazes de cair fora no momento certo, não estaremos abrindo assim a possibilidade de existir uma nova categoria de relações? Em que as pessoas não se transformam em bagaços, mas continuam sendo pessoas, que simplesmente não atendem mais às exigências para se encontrarem em uma categoria, mas que talvez se enquadrem em uma outra? Sem mágoas, sem ressentimentos, sem rancores ou decepções; durou enquanto durou, foi bom enquanto foi bom, e ponto?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que faz com que eu me volte à pergunta do meu paciente... Qual o momento certo de cair fora? O momento certo para cair fora é aquele em que você é capaz de reconhecer que o que o impede de tomar a decisão desejada é o medo do novo. É quando você sabe – de alguma forma inconsciente, não importa – que nada mais pode fazer com que você receba aquilo que deseja ou necessita. É aquele momento em que você é obrigado a admitir que, se permanecer na situação em que se encontra, estará sendo conivente com uma situação que existe, com a qual não está satisfeito, e para a qual não dispõe de coragem para modificar. Afinal de contas, não tomar decisões, não escolher, também é uma forma de escolha, cujas conseqüências virão e com as quais você terá de se haver. Sentir medo, receio, insegurança, tudo isso é permitido. O que não pode e não deve ser permitido nunca é que uma pessoa não se abra para o novo, para mudanças vindouras que podem ser maravilhosas por apego a uma situação que não a satisfaz. É o que faz da encruzilhada um local mágico e sagrado... E é o que faz com que você perceba que as rédeas de sua vida estão – e estarão sempre, se você o permitir – nas suas mãos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como diz um ditado popular – que como todos é de uma sabedoria única – se você continuar a agir como vem agindo, vai continuar a obter o que vem obtendo. Quando se der conta disso, e de que o futuro é sempre um ponto de interrogação, que por mais que tente nunca vai ser capaz de controlar situação alguma, e que, por isso, quando pode agir no sentido de ocasionar uma mudança em uma situação que não lhe agrada, deve, sim, agir... Este é o momento certo. Independentemente das conseqüências fazerem ou não com que você sofra. Esta será, na verdade, uma verdadeira demonstração de amor e respeito por si mesmo.&lt;/span&gt;   &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Março de 2005&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-1506215223786607812?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/1506215223786607812/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=1506215223786607812&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/1506215223786607812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/1506215223786607812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2007/12/caindo-fora.html' title='Caindo fora'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-2961554887427072420</id><published>2007-11-09T21:33:00.000-08:00</published><updated>2007-11-09T21:35:04.091-08:00</updated><title type='text'>Os Homens Jogam WAR</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Conversando com uma amiga no telefone, e ela me conta que leu em algum lugar que os homens vivenciam a vida amorosa como se fosse um jogo de War. Lembra daquele jogo, que você provavelmente jogou em alguma noite chuvosa na praia, com os amigos? Aquele que tem umas pecinhas redondas e coloridas, você escolhe uma cor e tem o objetivo, de conquistar, por exemplo, a América do Norte, a África e mais um continente à sua escolha? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, o objetivo do jogo é ir amontoando as pecinhas em volta dos territórios a serem conquistados, até que o ataque é decidido em um lance de dados. Quanto mais pecinhas o adversário tiver, maior a chance dele conquistar o território. Aí, se este ganha nos dados, o vencido é obrigado a tirar suas pecinhas do território e guardá-las na caixinha, enquanto o vencedor passa as suas para o território conquistado, para, nas jogadas seguintes, usá-las em nova disputa de dados e conquistar mais e mais territórios. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A moral da história era: assim que o cara te conquista, ele põe uma bandeirinha encima da sua cabeça, tipo, essa já é minha, território conquistado; larga a bandeirinha ali e parte para a próxima conquista. O propósito do tema era: devemos nós mulheres, aprender a jogar War também!! E aí eu fiquei pensando... será que somos estrategistas boas o suficiente para sequer entramos na disputa por uma conquista?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Qualquer pessoa mais observadora pode conferir que as mulheres são muito melhores jogadoras de tranca do que os homens. E que eles jogam truco bem melhor do que nós. Se você não conferiu, pode observar bem. E porquê isso acontece? No truco, o blefe é indispensável. E nós mulheres – pelo menos a grande maioria de nós – somos muito mais cautelosas; arrisque a comprar a mesa na tranca em momento errado e o que você terá em troca será descontar centenas de pontos pelos três pretos que perder na mão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de uma aula de psicanálise na qual o professor estabeleceu uma comparação muito interessante entre a forma de viver o amor e as relações afetivas de homens e mulheres e o ato de urinar dos mesmos na infância. O menininho apostava com os amigos quem fazia xixi mais longe, quem acertava tal alvo a tantos metros de distância. Enquanto isso, a menininha fazia xixi agachada e mesmo assim se molhava. Na vida amorosa, o homem aponta seu piu-piu lá longe  enquanto a mulher sente na pele as conseqüências do envolvimento – como o xixi a molhava, as emoções a inundam... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Reclamamos dos homens que usam de toda a sua lábia só para nos levar para a cama e desaparecer no dia seguinte... Mas se não existissem mulheres que se prestam a isso, eles não agiriam desta forma. Precisamos nos questionar se não estamos sendo permissivas em relação aos homens, porque quando um não quer dois não fazem. Parece que depois de toda a luta por direitos iguais, a mulher continua em uma realidade que não é a sua, tentando jogar um jogo cujas regras não são iguais para homens e mulheres, por mais que se queimem sutiãs em praça pública – o que, aparentemente, só serviu para que o peito caísse. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Observe um pêndulo; procure segurá-lo em um extremo. Ao soltar, perceberá que ele imediatamente irá para o extremo oposto. Parece ser isso exatamente o que vem acontecendo. A mulher lutou por direitos iguais, no trabalho, na sociedade, na política e na cama. E agora não consegue administrar as conseqüências disso. Insistimos em fingir que não estamos nem aí se o cara não liga no dia seguinte. Fingimos achar natural que o cara saia com mais duas além de nós. Fingimos estarmos satisfeitas com o prazer que tivemos na noite anterior, se ele por acaso desaparecer. Fingimos estar satisfeitas com as novas regras do jogo, sem perceber que mal sabemos elas quais são. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não sugiro que as mulheres joguem apenas tranca enquanto os homens jogam truco. Que joguemos War juntos, contanto que cada um – homens e mulheres – saibam utilizar as melhores estratégias. Se a habilidade natural deles é a de conquistar, exercitemos adequadamente a nossa – a de seduzir. E quando falo em sedução, não quero dizer: “mulheres, pintem a unhas de vermelho, o cabelo de loiro e dêem uma piscadinha para todos!”. Falo de assumirmos nosso papel de mulher, de nos orgulharmos de nossa incrível capacidade de amar, de nos envolvermos... Isso é notável nos dias de hoje, em que tudo é tão descartável... Temos, em nosso corpo, a capacidade de gerar e dar à luz a uma nova vida... É assim que a honramos? Sendo permissivas com crápulas aborígenes cujo objetivo é simplesmente colocar-nos uma pecinha redonda sobre a cabeça? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Façamos o seguinte: deixemos que escolham as peças azuis, peguemos as rosas. Escolhamos então os territórios valiosos e reforcemos assim nossas defesas nas fronteiras com os territórios inimigos. Isso dificultará a batalha, dificultará que sejamos vencidas. Pois, me parece, jogar os dados é sempre mais excitante... E além disso, para quem não se lembra... quem está sendo atacado conta com dois fatores a seu favor: a sorte e a vantagem... No empate, ganhemos.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Março de 2005&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-2961554887427072420?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/2961554887427072420/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=2961554887427072420&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/2961554887427072420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/2961554887427072420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2007/11/os-homens-jogam-war.html' title='Os Homens Jogam WAR'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-2436747892162912551</id><published>2007-06-13T08:01:00.000-07:00</published><updated>2007-06-13T08:06:40.669-07:00</updated><title type='text'>Pessoas Fortes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ultimamente venho pensando sobre o que é determinante para que uma pessoa seja forte; não aquele tipo de força que se obtém malhando feito loucos na academia e tomando suplementação vitamínica. Mas aquela força de vem de dentro, que permite que a pessoa atravesse as mais difíceis situações sem se abalar – ou sem se abalar em demasia.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Conheço algumas pessoas que são assim. Pessoas que não tem uma vida perfeita, que não contam com uma ausência total de problemas. Pessoas que vivem às voltas com questões normais: dificuldades financeiras, problemas familiares, descontentamentos com o peso e a forma física, dificuldades profissionais e pessoais. São pessoas com as mais diversas características individuais, com histórias de vida e experiências pessoais diferentes. Mas têm em comum a característica de não esmorecer facilmente diante das dificuldades, não se desesperam com qualquer coisa e, além disso, parecem sempre conseguir encontrar algo de positivo em tudo o que lhes acontece.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Tenho observado a forma-conduta de algumas destas pessoas nas mais variadas situações, e fui capaz de chegar à algumas conclusões. Não posso afirmar com certeza de que possuir ou não tais características seja determinante para que as pessoas sejam ou não felizes, mas o bom senso me diz que a vida pode ser muita mais fácil e prazerosamente vivida a partir do momento em que adotamos posicionamentos diferentes em relação às coisas. Problemas sempre existiram e sempre vão existir; o segredo me parece ser, portanto, a maneira com que lidamos com eles. O referencial pelo qual somos capazes de enxergar as diferentes situações que nos acontecem. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pessoas fortes são pessoas incrivelmente assertivas. Não adotam uma postura passiva, e nem tampouco agressiva diante dos fatos. Quando algo lhes incomoda, não engolem o sapo, mas são capazes de externalizar o que estão sentindo sem agredir a outras pessoas. São pessoas que se encontram altamente em contato com seus sentimentos, não desprezam suas emoções e não as consideram coisas “erradas” ou “corretas”. Reconhecem seus sentimentos, suas frustrações, suas limitações e as expressam ao mundo sem causar mágoa ou dano à ninguém.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Além disso, pessoas fortes não sofrem, na medida do possível, por antecipação. São serenas o suficiente para esperar que os problemas ocorram antes de estes lhes causarem sofrimento. Avaliam a possibilidade de uma determinada coisa ocorrer, mas apenas se preocupam com esta coisa a partir do momento em que ela de fato se apresenta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pessoas fortes têm uma visão otimista diante da vida. “Se algo pode dar certo, porque daria errado?”, parece ser o pensamento mais comum destas pessoas. E quando algo dá errado, assumem o problema mais uma vez de forma positiva; “ok, o pior aconteceu, mas a única coisa para a qual não há solução é a morte” parece ser seu segundo pensamento mais comum. E se, por fim, não forem capazes de resolver a situação como queriam a princípio, “fiz tudo o que pude, e se ainda assim não fui capaz de resolver isso, paciência, tinha de ser assim” parece ser seu pensamento final.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;As pessoas que são fortes não exigem demais de si mesmas. Esta parece ser uma conseqüência daquela outra característica, a de estar sempre em contato com suas capacidades, dificuldades e limitações. Sabem o limite exato de sua força e da sua fraqueza, e parecem não se expor à situações em que tenham que ultrapassar estes limites à toa. Sabem para qual tipo de plantio seu solo é fértil. Lembro-me de uma amiga minha que, quando algo estava além de sua capacidade, afirmava, tranqüilamente: “Esta situação não é para mim. Não adianta querer que focinho de porco vire tomada pois não vai virar nunca”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pessoas fortes são absolutamente espontâneas; e por conseqüência, criativas. São pessoas que não ficam exigindo de si mesmas que se comportem de X ou Y maneira, se estas não forem suas formas autênticas de se agir. Não ligam muito para a opinião dos outros; se importam na medida certa com o que as pessoas vão pensar delas. E se não gostarem, paciência. Têm a consciência de que não pode-se sempre agradar a gregos e a troianos. Um amigo me diz sempre que, se em um grupo de dez pessoas houver apenas uma que goste verdadeiramente de você, já está ótimo. Pois é muito melhor ser você mesmo sempre e agradar verdadeiramente a apenas uma pessoa do que se esforçar para ser aquilo que não se é para satisfazer a dez.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Além disso, pessoas fortes estabelecem objetivos palpáveis a curto prazo. Preferem colher a cada dia um único fruto, pois parecem ter a consciência de que desta forma saboreia-se muito mais aquilo que foi colhido. Uma cesta cheia de frutos de uma vez parece tirar a capacidade de degustação dessas pessoas, que saboreiam a vitória aos poucos. Não atormentam-se com objetivos impossíveis de serem atingidos; objetivos mais modestos mas que podem ser alcançados impedem com que estas pessoas armem arapucas para si mesmas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pessoas fortes têm em comum a característica de manter suas amizades. Possuem poucos, mas bons amigos. Não estão fechadas a conhecer novas pessoas e estabelecer novas amizades; contudo, têm uma perspectiva realista em relação ao que podem esperar de pessoas recém conhecidas. Seus verdadeiros amigos são aqueles que as conhecem e com quem convivem há anos. As pessoas fortes acreditam que pessoas podem aparecer em suas vidas por acaso, mas que não é por mero acaso que permanecem. Valorizam seus amigos verdadeiros como se fosse pedras preciosas, o que de fato são.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Por fim, estas pessoas tem a crença de que algo maior existe e determina o fluxo das coisas. Não acreditam necessariamente em Deus, na figura do velhinho de barba e cabelos brancos assentado sobre uma nuvem branca ou felpuda. Mas crêem em uma energia maior, que seja, que faz com que não estejam aqui por acaso. Que há algum tipo de plano ou destino preparado para elas, o que lhes dá maior força ainda para superar as dificuldades e intempéries da vida...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Um copo de água pela metade pode estar tanto meio cheio quanto meio vazio. O segredo da força das pessoas fortes parece ser a forma com que enxergam a vida e lidam com os problemas. São positivas, otimistas, espontâneas, criativas, serenas e respeitam a si mesmas e seus sentimentos. E por conseqüência respeitam a outras pessoas também.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A força parece sempre obedecer a uma direção, que flui de dentro para fora. Tais pessoas não ficam sentadas, esperando que as coisas aconteçam para agir. Fazem seu próprio momento, que parece lhes dar matéria prima para construir, com as próprias mãos, a sua vida e a sua felicidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Abril de 2004&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-2436747892162912551?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/2436747892162912551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=2436747892162912551&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/2436747892162912551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/2436747892162912551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2007/06/pessoas-fortes.html' title='Pessoas Fortes'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-8594994894627704318</id><published>2007-06-13T07:58:00.000-07:00</published><updated>2007-06-13T08:01:03.504-07:00</updated><title type='text'>As Mulheres e o Sexo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Outro dia eu e minhas amigas tivemos uma reunião com o editor chefe de uma revista masculina. Conversávamos, obviamente, sobre sexo. Ele nos falava da época em que a sexualidade feminina começou a deixar de ser tabu, e de como idéias como desejo, sexo livre e despreendimento emocional feminino soavam como loucura a ouvidos mais puritanos. Nos chamava a atenção para o fato de que este assunto está absolutamente “em vogue” nos últimos tempos e que, hoje, todas as mulheres defendem esta idéia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;De fato, as mulheres vêm tomando as rédeas de sua sexualidade com destreza cada vez maior nos últimos tempos. Transam quando querem, como querem e com quem querem. Mas a pergunta que não sai da minha cabeça e que fica martelando – como diria o Hercule Poirot de Agatha Christie – nas minhas pequenas células cinzentas é: porque querem? Afinal de contas por que é que, depois de tantos anos da revolução feminina, as mulheres precisam continuar provando ao mundo que podem se comportar como os homens?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Outro dia estava conversando com minha analista, e nosso assunto era justamente comportamentos atuais de homens e mulheres. Chegamos a conclusões interessantíssimas. Na verdade, as mulheres estão totalmente sem limites pois estiveram, por muito tempo, extremamente limitadas. Se antes sua ambição maior era ser a melhor cozinheira dentre as esposas dos colegas do trabalho do marido, agora podem presidir tais empresas. Se antes nem votar elas podiam, hoje em dia podem se candidatar a cargos públicos como os homens, e atentemos para o fato de que a uma mulher ocupou o cargo de prefeita da maior cidade do país. As mulheres ainda estão em um momento de explorar o campo recém conquistado, e é exatamente isto que estão fazendo também no que se refere aos relacionamentos afetivos e sexuais.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mas a relação de um homem e uma mulher é uma relação de complementariedade, na qual se um avança, o outro tem que recuar. E é isso que os homens estão fazendo. Os homens estão muito mais assustados do que as mulheres – e muito mais perdidos também. Se a mulher ainda não definiu qual é o seu papel, o homem muito menos. E é neste ínterim que os problemas ocorrem. Mulheres que não encontram homens que lidem bem com a nova posição “ativa” das mulheres (afinal de contas, se elas podem trabalhar e comprar suas próprias coisas, porque não podem elas ter a iniciativa de pedi-los em casamento?), homens que não encontram mulheres que tenham a paciência de esperar pelo “timming” deles de se compremeter de verdade (sim, porque além de tudo, somos muito mais apressadinhas no quesito “envolvimento”)...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Onde esse movimento todo vai parar, ninguém sabe. Mas eu tenho minhas suspeitas... Outro dia estava conversando com minha amiga mais “libertina”. Ela não enche a cabeça de besteiras conservadoras quando rola a oportunidade de sexo eventual no meio da tarde, e não fica se sentindo usada se transa com três no mesmo dia. O grande problema dela e a dúvida que a aflige é a seguinte: deveria se sentir mal por ter tal comportamento? Levou esta questão para sua análise, e saiu de lá aliviada. Porque descobriu que, na verdade, o que busca com todas essas desventuras sexuais, é tão somente a mesma coisa que as que não transam tão ativamente buscam: ser amada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Todas as mulheres são assim. Todas querem, mais que tudo na vida, ser amadas. A forma com que cada uma faz isso é um problema única e exclusivamente pessoal. Acho ótimo que as mulheres testem seus limites. Acho ótimo que tenham experiências que lhes proporcionem o auto-conhecimento. Mas acho também interessantíssimo que, as coisas tendo mudado tanto, a busca feminina continue sendo a mesma: encontrar um homem bom, honesto e respeitável, que possa lhe conceder um lar estável, o sobrenome e um casal de filhos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Fico pensando se na verdade as coisas não voltarão exatamente ao ponto de onde partiram. Se haverá um dia em que o comportamento atualmente considerado “promíscuo” será tão ultrapassado que voltaremos a valorizar atitudes dé modé como esperar um cara certo para transar, tendo a certeza de que ligará no dia seguinte e que a noite de prazer certamente terá uma continuidade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;O que, pelo menos na minha visão das coisas, faz muito mais sentido.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Março de 2005&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-8594994894627704318?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/8594994894627704318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=8594994894627704318&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/8594994894627704318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/8594994894627704318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2007/06/as-mulheres-e-o-sexo.html' title='As Mulheres e o Sexo'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-4580668628077828493</id><published>2007-05-22T22:15:00.000-07:00</published><updated>2007-05-22T22:16:54.780-07:00</updated><title type='text'>Meu Maior Amor Que Não Foi Amor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Eu estava vivendo uma História de Amor. História de Amor com letra maiúscula, daquelas que rolam nas novelas, ou daquelas que a gente ouve quando é criança e é chamada de “conto de fadas”. Com direito a muitos suspiros, muitos frios no estômago e muitas emoções. Mas acabou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E não acabou porque o cara me deu um fora ou porque desinteressei da pessoa. Acabou porque descobri que eu não estava vivendo uma História de Amor com outra pessoa. Estava vivendo comigo mesma. Depois de tanto tempo sozinha, estava sendo ótimo ouvir o quanto eu era especial para outra pessoa. Estava sendo ótimo ouvir que sentiam saudades de min. Estava sendo ótimo receber as mensagenzinhas de texto que eu estava recebendo no celular. Estava sendo ótimo me sentir gostada. Me sentir ótima por estar sendo realmente ótima para outra pessoa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ótimo, mas de repente percebi que eu não sabia se a outra pessoa era ótima para mim. Um cara de quem eu havia me tornado amiga, e que depois de um mês de amizade me admite que gostava de mim, um dia antes de ele viajar por tempo indeterminado para fora do país. Um cara que lotou a minha caixa de mensagens do celular nos primeiros dias, que respondeu cada um dos emails que eu enviei depois que ele foi embora. E que um dia não respondeu mais, o que me deixou muito triste. Mas não estava sofrendo tanto quanto era de costume... E aí descobri. Não era uma História de Amor porque não tinha nem dado tempo para poder falar em amor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Era o script perfeito de uma história de amor. E como eu me entreguei a ela! Com unhas e dentes. Pensei, “esse é o tipo de coisa que acontece nos filmes! É o tipo de coisa pela qual esperei minha vida inteira!”, e já pude visualizar cenas apaixonadas de reencontros em aeroportos. Escrevi um email falando sobre meus sentimentos, que aos olhos de desinformados poderia passar mesmo por um Email de Amor. Mas hoje percebo que não era de amor, não. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Era um Email de Carência. Carência por estar sozinha, carência por estar há tanto tempo sozinha, carência por estar há tempo demais sozinha. Era um Email de Saudades. Saudades de gostar de alguém, saudades dos frios no estômago, saudades dos loopings emocionais. Era um Email de Vontade. Vontade de ouvir de alguém as coisinhas fofas que eu ouvi, vontade de ter em quem pensar, vontade de dormir e acordar pensando na pessoa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não era um Email de Amor. Mas aos olhos de desinformados poderia ter passado por um. E aos olhos dele, do meu Amor que não era Amor, pode ter parecido um. E pelo visto meu Amor que não era Amor se assustou, e não me respondeu. E eu fiquei esperando... e a resposta não veio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas eu sofri só um pouco, o que é bastante significativo em se tratando de uma escorpiana. Não achei que fosse morrer, não fiquei deprimida e nem tive vontade de me mudar para a China. Fiquei um pouco chateada, é verdade... Mas chateada por mim, por não ouvir mais coisinhas fofas e nem receber mais mensagenzinhas meigas no meu celular. Fiquei morrendo de saudades de ter em quem pensar. Fiquei morrendo de vontade de ter um Amor. Mas um Amor que seja Amor mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas olha... apesar de tudo, esse vai ficar prá minha história, e tem lá seu mérito. Porque foi o maior Amor que não foi Amor que já tive na vida...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Março de 2005&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-4580668628077828493?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/4580668628077828493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=4580668628077828493&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/4580668628077828493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/4580668628077828493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2007/05/meu-maior-amor-que-no-foi-amor.html' title='Meu Maior Amor Que Não Foi Amor'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-581121449319639740</id><published>2007-05-22T16:09:00.000-07:00</published><updated>2007-05-22T16:11:26.729-07:00</updated><title type='text'>Se a Moda Pega Parte II - A Saga Continua</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quando escrevo um texto, os comentários que recebo são sempre a parte mais interessante. Adoro perceber as repercussões das minhas idéias na cabeça das pessoas, e muitas vezes acabo por rever meus conceitos acerca dos temas. Claro, não são todas as pessoas que respondem; quando o fazem, entendo que aquele texto em específico mexeu com aquela pessoa em específico, a fez pensar, avaliar e se questionar sobre suas próprias opiniões. Alguns textos não geram nem um único comentário; outros, lotam minha caixa de mensagens. Mas nunca havia me acontecido o que aconteceu desta vez. Quase todas as pessoas para quem mandei meu texto “Se a Moda Pega...” fizeram algum tipo de comentário... O que me motivou a escrever um novo texto sobre o mesmo tema, ampliando um pouco o assunto e colocando alguns pingos nos is. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A maioria das pessoas me perguntou se, afinal, eu era contra ou a favor do sexo a três – ou a quatro, cinco... Gente, não sou contra ou a favor de nada nessa vida, acho que ninguém tem o direito de pregar o que as outras pessoas devem fazer. Cada um sabe de si, o que quer, o que deixa de querer, o que faz bem ou não, o que acha conveniente ou não para a própria vida. Só fico realmente me questionando os verdadeiros objetivos das pessoas ao se envolverem nesse tipo de experiência. Curiosidade? Vontade de provar do desconhecido? Cada um sabe de si, e quem já fez que responda a si mesmo essas perguntas – claro que, se quiserem dividir comigo esta conclusão, fiquem à vontade, afinal minha profissão me faz ser muito curiosa...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Algumas pessoas negaram veementemente a possibilidade de passarem um dia pela experiência; destas também desconfio, porque afirmar que nunca vai se fazer X ou Y coisa, para mim, é no mínimo duvidoso. Como é que se sabe o jeito que vai se pensar daqui há cinco, dez anos? Como diz o dito popular – sempre de uma sabedoria inigualável – ninguém sabe o dia de amanhã. Eu não boto minha mão no fogo por ninguém, nem por mim mesma. É mais garantido calar-se sobre o amanhã, lembrar-se do ontem e afirmar apenas o hoje. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O mais engraçado foi a curiosidade daqueles que já fizeram, em saber quem são as outras pessoas que eu citei. Minha amiga que quase me fez bater o carro jurou que não fala mais comigo se eu não contar quem são as outras pessoas envolvidas. E eu afirmo: não conto. Sigilo profissional e pessoal absoluto. E as que não fizeram ficaram morrendo de medo que as outras pessoas achassem que as citadas foram elas... Dei boas risadas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muito amigos meus tiveram a nobre intenção de me consolar quanto à minha sensação de rejeição por nunca ter sido convidada para um programinha desses. Convidaram-me de imediato, ressaltando apenas a exigência de que o outro participante fosse uma mulher. Eu até poderia escolher. Algumas amigas me confessaram que morriam de vontade, mas que não tinham coragem. Se por acaso eu decidisse fazer com alguém, topavam a experiência junto comigo. Outros tantos me confessaram que já haviam feito – uma amiga disse até que a experiência foi tão mal sucedida que representou um papel importante em sua busca por terapia. Não aconselha para ninguém, mas fez questão de contar mais uma vez detalhes cabulosíssimos, que mais uma vez envolviam conhecidos meus. Porque será que desta vez não me surpreendi? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um paquera se mostrou receptivo a dividir a experiência comigo, no momento em que eu achasse mais oportuno. Assim mesmo, com a mensagem toda contida nas entrelinhas. Bem descompromissado, como convém. Um outro fez questão de discutir bastante o assunto, dando sua opinião geral à respeito e afirmando que já tinha até me convidado para participar de um ménage e que eu não o tinha levado à sério... e eu verdadeiramente não soube o que responder, porque nem me lembrava desta “suposta” proposta...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Meu pai disse ter ficado muito assustado, porque não imaginava que as coisas estavam neste ponto. Depois de alguns dias pareceu ter revisto seus conceitos, afirmando que, sem levar em conta sua filhota querida, estava entusiasmado com a nova moda. Minha mãe exprimiu todos os seus pensamentos à respeito através da atitude de não pronunciar uma única palavra sobre o tema – e ela sempre elogia o que escrevo. Minha terapeuta fez do texto o tema de uma sessão inteira – inteirinha!!! Com direito a menção da triangularização edípica da primeira infância e tudo...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E eu fiquei me perguntando... e era para tudo isso? Nunca quis causar polêmica ou levantar discussões acaloradas sobre os temas dos quais trato em meus textos. Chegaram até mesmo a me dizer que eu seria co-reponsável por qualquer bacanal ocorrido após o envio do meu texto. Eu? Justo eu, que nunca participei de um bacanal? Ser co-reponsável! Me achei muito importante.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O fato é que tudo isso mostra como esta é uma idéia presente no imaginário de todos. Todo mundo pensa, ou já pensou, em participar de uma experiência dessas. Todo mundo tem, ou já teve, um desejozinho, mesmo que inconsciente, em participar dos Sonhos de uma Noite de Verão... Não posso deixar de levar em consideração que esta moda toda não é tão moderna assim, afinal na Roma Antiga já existiam os bacanais. Mas que, influenciados pela sociedade de hoje, em que tudo pode, estão ressurgindo com uma força imensurável... O problema parece ser que, ao mesmo tempo em que todas as atitudes são permitidas, os sentimentos despertados pela vivência não têm espaço para serem trazidos á baila...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É por isso que afirmo, do alto de minhas tamancas: não sei de nada nem de ninguém. Sei mal e porcamente de mim mesma, e olhe lá. Agradeço a todos os convites recebidos; obrigada por não permitirem que eu me sinta rejeitada. Mas este meu momento ainda não chegou... Não sei, acho que sou uma menina à moda antiga, daquele tempo em que o sexo era bem mais do que simplesmente prazer sem limites. Mas, se algum dia eu mudar de idéia, prometo que alguns de vocês serão os primeiros a saber...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E cada um que entenda como quiser.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Abril de 2005&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-581121449319639740?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/581121449319639740/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=581121449319639740&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/581121449319639740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/581121449319639740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2007/05/se-moda-pega-parte-ii-saga-continua.html' title='Se a Moda Pega Parte II - A Saga Continua'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-612886184371108099</id><published>2007-05-22T16:06:00.000-07:00</published><updated>2007-05-22T16:09:33.335-07:00</updated><title type='text'>Se a Moda Pega...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Gente, estou escandalizada. Outro dia estava conversando com uma amiga no telefone, perguntando como ela estava e o que ela tinha feito e ela me responde, toda alegre: “Sexo a três!”. Depois de ter uma parada cardíaca temporária, consegui prestar atenção ao final da história. Minha amiga transou com dois homens ao mesmo tempo, dois amigos. Amigos entre si, amigos dela, e o que é pior – meus amigos!! Depois de visualizar as cenas que ela me narrava em detalhadíssimas etapas, desliguei o telefone me sentindo esquisita.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;No mesmo dia comentei o fato com uma outra amiga, amiga de anos, daquelas que se conhece a vida inteira. Sem me dar tempo de comentar as minhas impressões sobre  o fato, ela dá um gritinho, gargalhando em seguida: “Eu também, eu também!!”. Quase bati o carro, mas consegui me controlar para então começar a visualizar outros tórridos detalhes da história que ela me contava. Essa não tinha feito com dois homens, mas com um homem e uma mulher. Amigos. Entre si. Amigos dela. E meus amigos, é claro. O cara era ex namorado da outra mulher, a melhor amiga dela. E ela tinha saído com o cara “pra transar” algumas vezes, meses antes. Teve o cuidado de me tranqüilizar que ela e a menina não tinham transado, sendo cuidadosas para mal se tocarem – como? – durante o ato.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Naquela noite fui dormir me sentindo careta, ultrapassada e, como diria uma outra amiga – será que essa também já fez um menàge? – obsoleta. Gente, eu nunca participei de um bacanal! Todas as minhas amigas estão transando com mais de uma pessoa ao mesmo tempo – ao meeeesmo tempo! – e eu não! Comecei a me questionar se eu tinha algum problema. Alguma disfunção sexual, psíquica ou até mesmo espiritual, porque por mais que eu já tenha pensado nisso, nunca sequer cogitei ir com a idéia adiante. Fantasiar é uma coisa, mas partir para as vias de fato, isso já é outra completamente diferente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Depois dessas duas, uma terceira me confessou que já transou com dois alguns anos atrás, e, para falar a verdade, estranhei bastante a reação de uma quarta amiga ao me ouvir falar sobre o assunto. Estou chegando à conclusão de que todo mundo já fez isso. E se não fez, ainda vai fazer. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Apesar de modernosa e descolada em vários aspectos, de ter sempre me orgulhado da minha cabeça aberta e da ausência de preconceitos, hei de admitir que não me sinto – ainda – à vontade com a idéia. Talvez tenha sido a minha criação, não sei. Mas por mais que tente, e juro que ultimamente venho tentando, entender o que motiva as pessoas a cruzarem essa linha que tangencia a perversão por vontade própria, ainda não cheguei à conclusão nenhuma. Pelo amor de Deus, quando falo de perversão, não falo preconceituosamente, mas no sentido psicanalítico da palavra. Para Freud a perversão era uma estrutura de personalidade, e o ato sexual perverso seria qualquer um desviado do ato sexual normal – que, no meu conceito, envolve apenas duas pessoas, porque senão, ou sobra, ou falta alguma coisa!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Penso que a sociedade está prestes a acabar. Freud fala que não há civilização sem repressão, porque para se viver em sociedade torna-se necessário reprimir alguns impulsos. Imaginem a situação: se a coisa começar a ser assim, daqui a pouco as pessoas vão se conhecer e se identificar pelas pessoas com as quais transaram em comum! Talvez até passe a fazer parte do curriculum! Na carteira de identidade, além da observação “Doador de Órgãos e Tecidos”, vai constar: “Participante Ativo de Orgias”! Talvez até se passe a declarar gastos com Motel e derivados no Imposto de Renda, para ser ressarcido depois!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Oi, é você a Maria que transou com o Paulo e o João?&lt;br /&gt;- Sou, e você, quem é?&lt;br /&gt;- Laurinha, do Pedro, do Gustavo...&lt;br /&gt;- Do Fábio, da Ritinha...&lt;br /&gt;- A Ritinha? Você conhece a Ritinha?&lt;br /&gt;- Ih, transo com ela desde os catorze anos! Mas calma, agente nunca se tocou...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu sempre tive uma visão realista e não romanceada do sexo. Sexo é bom, ninguém questiona. Tem gente que até fala que sexo é que nem pizza, mesmo ruim é sempre bom. Mas o sexo não é uma coisa para ser feita entre duas pessoas? Ou minha lógica está errada? Afinal, entre outras modalidades possíveis de serem praticadas em uma relação, sexo implica em dois – eu disse dois – órgãos sexuais. Dois em um, uma fusão. Ninguém deve se esquecer de que por mais que se tenha prazer no sexo, ele tem uma função, que é a reprodutiva. Em que se unem um óvulo e um espermatozóide. Claro, existem os casos dos gêmeos, mas inicialmente é mais ou menos assim que a coisa funciona; um e um. Dois. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E de repente, o que é para ser vivido a dois, vira um três, quatro, cinco, talvez um bacanal com seis. Por mais moderninha que eu seja, não consigo entender o funcionamento por trás do comportamento. Mas a minha mente de psicóloga não deixa nada passar desapercebido, e eu consegui encontrar uma coisa em comum em  todas as histórias. Um padrão! E se você foi observador também deve ter conseguido. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Todos os envolvidos eram amigos. Não me sinto tentada a parar para pensar que todos eram meus amigos – será que todos os meus amigos estão transando entre si e nunca me convidaram?!  Mas em todos os casos não era o sexo o pano de fundo do encontro. Era a amizade. E amigos de longa data, não falo de uma amizade de meses. Melhores amigos. Parece que por mais moderninhos que sejam, e atuais e descolados, tinham um medo tão grande, mas tão grande da nova experiência que ela só poderia ser dividida com alguém que se conhece, alguém em quem se confia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não posso deixar de pensar na complicação que isso pode trazer. Se transar com um amigo já é complicado – a amizade muda, alguma coisa fica estranha – imagina se você começa a transar com todos os seus amigos. Você liga para uma amiga pra combinar uma balada e ela fala que não pode, porque já combinou de transar essa noite com outras pessoas. E se vira moda, até você, daqui à pouco, vai estar transando com os seus amigos – se é que já não está! – por pura falta de companhia para sair nos finais de semana. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os dias atuais são marcados pela costumez, pela independência, pelo liberalismo. Tudo pode, tudo é lindo, tudo é atual. Nossas crianças experimentam um nível de liberdade que eu jamais sonhei em ter quando era mais nova. Vemos meninas de onze, doze anos perdendo a virgindade. Eu, com essa idade, brincava de Barbie. Tá certo, a brincadeira sempre acabava com a Barbie transando com um dos meus Ursinhos Carinhoso; mas não era eu transando com o menininho do meu prédio, filho do síndico, por quem eu era apaixonada! Entre uma situação e outra existe uma coisa muito importante, a repressão de um impulso que não podia vir à tona, e que era então sublimado nas minhas brincadeiras. Era, no passado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Hoje vivemos tempos de eu-sou-de-todo-mundo-e-todo-mundo-é-meu-também. É enorme a quantidade de reportagens em revistas sobre sexo grupal, casas de swing e trocas de casais. Quem faz é moderno. Quem não faz, é careta; por mais estranho que pareça, o que era o normal ontem, é o anormal de hoje. Estou vendo a hora em que terei vergonha de contar para as pessoas que eu nunca transei com mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Talvez comece a mentir que fiz também. Só para ser pop, para estar na moda e ser cool. Confesso até que estou me sentindo rejeitada por nunca alguém ter me convidado para um programinha desses...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não sei, gente, mas se a moda pega...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Março de 2005&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-612886184371108099?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/612886184371108099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=612886184371108099&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/612886184371108099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/612886184371108099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2007/05/se-moda-pega.html' title='Se a Moda Pega...'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-5118993581102647906</id><published>2007-05-12T18:54:00.000-07:00</published><updated>2007-05-12T18:58:54.505-07:00</updated><title type='text'>Dores e Metamorfoses</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Enxaqueca dói. Prender o dedo na porta dói. Usar sapato apertado durante horas dói. Cólica, machucado, ressaca doem. Traição, arrependimento, mágoa, tristeza doem. Eu poderia passar horas e horas enumerando centenas, talvez milhares de coisas que doem tanto quanto cair de skate ou de bicicleta, tanto quanto ser atropelado ou levar um baita rola da escada. Mas existe uma dor que dói mais do que qualquer outra coisa... A de esquecer um amor que não deu certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não importa qual tenha sido o motivo. Talvez você tenha gostado mais da outra pessoa do que ela de você, talvez você tenha sido traído, enganado, passado para trás. Talvez tenha criado, como diz um amigo querido, um castelo de cartas, uma série de expectativas que não foram atendidas pelo outro. Talvez tenha se atropelado, metido os pés pelas mãos, atravessado. Ou talvez tenha simplesmente levado um belo pé na bunda sem nem saber ao certo o motivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada disso faz diferença, quando se atravessa essa fase terrível de reintrojetar projeções que haviam sido feitas. Uma série de idealizações são colocadas à avaliação, uma série de pontos de vistas são reanalisados, toda a energia que havia sido depositada naquela pessoa e naquela relação tem de ser reaplicada em você mesmo. Pode ser que você venha a se sentir como um pastel sem recheio, ou como uma bexiga esvaziada, jogada no chão no final de uma festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada dói tanto quanto esquecer um amor. Não importa se vocês estiveram juntos por anos, meses ou semanas. Se você estava apaixonado, se você estava entusiasmado, se você não esperava de forma alguma pelo afastamento provocado pelo término, irá sofrer como uma criança que se vê privada de seu brinquedo mais querido. Claro, pessoas e relações não são como brinquedos, meros objetos que se tira de um lugar e põe em outro. Mas quando se é criança, o brinquedo não é apenas o brinquedo, o objeto em si, mas representa uma série de vivências, reais ou não, de diversão, de fantasia, de pura mágica. De pura magia e encantamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se está apaixonado, algumas vezes nenhum dos defeitos que você até conseguia enxergar na outra pessoa servem de motivos bons o suficientes para se conformar com o afastamento. “Afinal, ele trabalhava demais, quase não nos víamos...”, “Ela era muito ciumenta, infernizava a minha vida!”, “Agora vou poder viver tudo o que nunca pude ao lado dele...” são frases que até podem passar pela sua cabeça, mas você sabe muito bem que não passam de meras racionalizações na tentativa de se conformar com uma ruptura que não estava nos seus planos, tentativas de se proteger do contato com o sofrimento decorrente da realidade de que as coisas não aconteceram da forma como você esperava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante um relacionamento, é impossível que você não tenha construído este castelo de cartas. Todo mundo, quando se envolve e se apaixona, imagina, nem que seja apenas por alguns breves momentos, como seria se esta pessoa viajasse com você para aquela praia maravilhosa, local que você facilmente definiria como o paraíso na Terra. Não é tão difícil que você tenha, nem que por relance apenas, imaginado como esta pessoa seria como pai – ou mãe – dos seus filhos. Como seriam as próximas férias em comum; como a pessoa cuidaria de você se você ficasse doente; como seriam doídas as semanas de distância se você ou ela viajassem a trabalho por algum tempo; e como seriam maravilhosos os reencontros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando ocorre o rompimento, todas estas fantasias tem de ser desfeitas, todos os sonhos em comum se desvanecem, e isso causa obviamente uma frustração muito grande. A forma que cada um encontra para lidar com esta frustração é única. Alguns podem sair em uma desenfreada e maníaca busca por uma outra pessoa, que se encaixe adequadamente neste “buraco” recém criado, evitando, desta forma, sentir a falta e o vazio. Outros podem se negar a próximos relacionamentos, seja pela dificuldade em se desligar do anterior, seja por medo de sofrer novamente. Algumas outras pessoas podem fingir que nada estão sentindo, buscando assim, nas altas horas das baladas, empregar toda a energia que lhes sobra entoando fortemente o hino “não sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também”...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem, entretanto, aquelas pessoas que aprenderam que nada disso é suficiente para que a dor passe mais rápido. Essas pessoas encaram todo o luto e sofrimento advindos do fim da relação, encasulam-se como a lagarta, passam por um longo e penoso processo de transformação, percebem seus erros, suas expectativas, analisam as próprias atitudes e as próprias frustrações. Como a lagarta, que sofre uma metamorfose real em seu corpo, para se transformar em borboleta, essas pessoas sofrem uma metamorfose simbólica, pois percebem que nunca mais serão as mesmas de antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas pessoas podem até se tornar amargas, enraivecidas e desesperançosas por algum tempo, mas tudo isso passa depois de perceberem que na verdade sofrem mais por si mesmas do que pela falta do outro. Sofrem porque percebem que não foi desta vez que as coisas deram certo, sofrem por perceberem que tudo aquilo no que acreditaram, pelo que lutaram, o que sonharam... que tudo isso acabou, e que mais uma vez estão sozinhas, com seus defeitos, com suas faltas, com suas limitações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ao invés das outras, que de uma forma ou de outra evitam sentir o que já de fato sentem, essas pessoas estão infinitamente mais próximas de se tornarem borboletas, que em breve voarão, livres e belas, colorindo a paisagem e alegrando seu Jardim da Vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Março de 2005.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-5118993581102647906?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/5118993581102647906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=5118993581102647906&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/5118993581102647906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/5118993581102647906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2007/05/dores-e-metamorfoses.html' title='Dores e Metamorfoses'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-154466810565515997</id><published>2007-05-11T15:44:00.000-07:00</published><updated>2007-05-11T15:45:56.825-07:00</updated><title type='text'>Aproveite o Dia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Uma coisa engraçado sobre nós, seres humanos, é a nossa ilusória idéia de que viveremos para sempre. Apesar de sabemos que um dia a vida vai acabar, é incrível como evitamos entrar em contato com esta verdade. Com a única certeza que temos em nossas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achamos que sempre teremos tempo para viver o que não vivemos hoje, para fazer o que não fizemos até agora. Adiamos nossos planos, deixamos para depois o ato de tomar decisões difíceis, de encerrar relações, de fazer as pazes, de dizer que estamos tristes ou apaixonados. Deixamos pessoas especiais passarem por nós e sumirem de nossas vidas, sempre pensando que teremos o amanhã para nos dar conta dos erros e corrermos atrás do prejuízo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evitamos, o tempo todo, enfrentar a única verdade que existe desde que o mundo é mundo: que o tempo passa, que a idade chega, que as rugas são inevitáveis, e que o dia em que deixaremos este mundo também chegará um dia. Se tudo der certo, morreremos com idade, dormindo, para não sentirmos dor. Mas nem sempre é assim. Às vezes acidentes acontecem; algumas pessoas adoecem e partem ainda muito jovens. Outras têm um descontentamento tamanho com a própria vida que tomam a iniciativa espontânea de abandonar esta existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Combatemos o tempo como se ele nos fosse um inimigo. Usamos cosméticos rejuvenescedores cada vez mais cedo. Mulheres não envelhecem, ficam loiras. O número de homens que pintam os cabelos quando estes começam a ficar grisalhos também é cada vez maior. Homens e mulheres correndo atrás do tempo perdido, mais do que por uma questão estética, por uma questão de simples sobrevivência. Que espaço o mundo tem para os velhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crescemos e nos tornamos adulto com esta certeza: a de que viveremos para sempre, que a morte nunca chegará e que podemos fazer o que quisermos hoje, pois sempre haverá o dia de amanhã para consertar nossas burradas, que sempre haverá tempo para nos arrependermos, que sempre haverá um amanhã, ou um depois de amanhã, para sermos felizes. Isso é mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia estava assistindo um filme com a minha irmã, a respeito do qual ela precisava fazer um trabalho para a faculdade. “Aproveite o dia” era a moral da história. Peguei-me a pensar sobre o significado destas três palavras. Aproveitar o dia é uma coisa difícil. Aproveitar o dia não significa que tenhamos de ser irresponsáveis na busca incansável pelo prazer. Não significa que as ações não impliquem em reações e que não tenhamos de assumir as conseqüências de nossas atitudes de forma responsável. Mas este pensamento, esta filosofia de vida ensina que às vezes o melhor momento de nossas vidas é o hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada dia, um novo mundo nasce. A cada dia, as esperanças se renovam, milhares de pessoas nascem e milhares delas morrem. A cada dia pessoas se encontram, se reencontram e se afastam. A cada dia amizades são feitas, outras desfeitas. O dia de ontem já passou e acabou, não há nada que possamos fazer a respeito. O amanhã ainda não chegou, e por isso não temos outra alternativa a não ser esperar; e enquanto esperamos, vivemos o dia de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveite o dia. Aproveite cada dia de sua vida como se fosse o primeiro e o último; muitas vezes o é. Aproveite cada dia de sua vida, procure apenas se recordar do ontem e sonhar com o amanhã. Aproveite cada dia da sua vida como se você nunca houvesse tido um outro dia. Como se nunca houvesse vivido antes. Faça tudo o que acha que deve fazer exatamente agora.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Este é o momento.  Afinal, deve haver algum motivo para o presente se chamar Presente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;Novembro de 2005&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-154466810565515997?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/154466810565515997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=154466810565515997&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/154466810565515997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/154466810565515997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2007/05/aproveite-o-dia.html' title='Aproveite o Dia'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-559126711762828766</id><published>2007-05-11T15:41:00.000-07:00</published><updated>2007-05-11T15:43:26.382-07:00</updated><title type='text'>Suzane Louise</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ultimamente tenho tido medo de dizer o que penso sobre a tal Von Richthofen. Olhos se arregalam quando digo que tenho pena – muita pena – da tal garota. A verdade é que, na adolescencia, época em que todos estamos mais propensos à estupidez, Von Richthofen cometeu um ato imperdoável: o Parricídio. Mentes doutoradas preenchem colunas de revista com protestos e tentativas de responder à inevitável pergunta: como deve funcionar a mente da criminosa? O que, afinal de contas, deu errado na criação da ré confessa? Em quê – e essa é a pergunta que mais aflige todos os pais da classe média-alta brasileira – Marísia e Manfred erraram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirar a vida de outro ser humano é um ato que transcende todas as alternativas existentes para a resolução de um conflito. Em vulgas palavras, é apelar. Para matar os pais, então, é necessária a existêcia de um cenário psíquico bastante específico, criado a partir das relações existentes entre pais e filho. O assassinato dos pais de Suzane, visto sob esta ótica, foi apenas a manifestação máxima, chocante sintoma de uma doença relacional existentre na família Von Richthofen.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe era psiquiatra, profunda conhecedora do escuro labirito em que pode se transformar a mente humana. Muitos perguntam: como Marísia pôde não perceber a estranheza da filha, bem debaixo de seu nariz? Já li por aí que era uma pessoa “estranha”, que na infância gargalhava sempre que via a mãe, professora, dar com a régua na mão dos alunos desobedientes. Se Marísia era sádica, quem sai aos seus não degenera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai, Manfred, era um engenheiro que gostava de dizer aos quatro ventos que era descendente do Barão Von Richthofen, mais conhecido como Barão Vermelho, famoso expoente da aeronáutica alemã que combateu na Primeira Guerra Mundial. Só que era tudo mentira. Na época do crime, uns jornalistas foram atrás dessa história e o porta-voz dos Barões Vermelhos disse que Manfred não passava de um genérico. O que dizer da auto-estima e aceitação de si mesmo, e das próprias origens, deste senhor? E o que poderia ser dito sobre a forma com que transmitiu estes valores à seus filhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de repente temos nossa Baroneza Von Richthofen. Uma menina que, segundo a família de Marísia, era grudada na mãe, até que o Sapo Daniel Cravinhos apareceu e estragou tudo. No começo os pais não deram importância ao namoro que, acreditavam, acabaria no exato momento em que Suzane se desse conta de que, Baroneza que era, merecia coisa melhor. A verdade é que a vida de Suzane, que era obrigada a fazer jardinagem por um hora, todos os dias, sempre que viajava para o sítio da família em São Roque, devia ser um saco. E, talvez pela primeira vez na vida, ela sentiu uns bons frios no estômago, descobriu o sexo ao lado de um menino meio largado de família humilde. A ironia é que, talvez, tenha sido no seio desta família humilde que Suzane pôde sentir algum calor humano, que era claramente compartilhado com o irmão mais novo Andreas. Quem não se lembra da cena do órfão soltando da mão de seu tio materno, na missa de sétimo dia dos pais, para correr na direção do pai dos assassinos de seus pais? Algo não se encaixa nisso tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que me parece muito mais provável que Manfred e Marísia tenham sido maus pais do que bons. Não é pagar colégio caro, escola de inglês, caratê, roupinhas de marca e TV a cabo que faz dos pais bons ou maus. Se não, pobre não era bom pai. O que me parece é que existia uma doença muito grave, em estado avançado, percorrendo as veias da família Von Richthofen, e que não foi diagnosticada a tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada disso muda o fato de que Suzane errou. Errou, e o que fez é imperdoável. Nunca mais vai passar despercebida, nunca mais vai poder comprar um cigarro no RedeShop sem que a vendedora da padaria olhe para ela e pense, “criatura estranha que matou os pais”. Errou, e deve pagar por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas mais do que pagar por isso, Suzane deve ser tratada. Cadeia não é o lugar dela, e sim uma Insituição Hospitalar Judicial. Porque é uma menina doente do ponto de vista mental, não daquelas que fica batendo com a cabeça na parede ou babando pelos cantos, mas uma doente cujo cérebro funciona de uma maneira errada, cuja mente não é similar as nossas mentes. Suzane nasceu sem um “chip”, e quando o meio à sua volta subiu de temperatura, assou-se o bolo. E nada nem ninguém pode prever quando é que um novo bolo será assado, pelo simples fato de que não se pode controlar o ocasional aumento de temperatura da vida, e os ingredientes psiquicos e emocionais de Suzane estão severamente estragados. Suzane precisa ser tratada pois, me desculpem, eu não precisaria ser psicóloga para afirmar que Suzane é doida de pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que, quando a sociedade coloca Suzane como a vilã ao invés de uma menina doente, algo se aquieta dentro do peito de centenas de famílias de classe média-alta, que intimamente se questionam se são pais suficientemente bons. Ao trancar Suzane no xilindró trancarão, no sótão emocional, o assustador monstro da insegurança de que talvez não estejam fazendo um trabalho bem-feito&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:verdana;"&gt;com seus filhos. Quem garante que a dócil menina dormindo no berço ao lado não se transforme, em alguns anos, em uma assassina fria, que se certificará de que os pais estarão mesmo dormindo para que nada saia errado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho pena de Suzane Louise Von Richthofen. Tenho pena porque Suzane, ao lidar com sua doença familiar, escancarou a doença da sociedade bem na cara de todos, sem que ninguém pudesse fazer nada. A verdadeira causa de todos os sintomas de nossa doente sociedade, que mostra, através das drogas-espirros e da criminalidade-tosse, que algo não vai bem. Agora, Suzane virou mártir – “queimemos as bruxas na fogueira, apaguemos o incêndio, e que venham os antibióticos para que possamos varrer as bactérias de nossas vidas!” – e em relação a isso, ela nada poderá fazer. Vai ter que pagar pelo seu crime, e pelos crimes de todos nós, que fechamos os olhos para tudo o que acontece a uma distância superior a cinco centímetros de nossos umbigos. E que descanse em paz. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Novembro de 2006&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-559126711762828766?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/559126711762828766/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=559126711762828766&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/559126711762828766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/559126711762828766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2007/05/susane-louise.html' title='Suzane Louise'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-6713695180318407430</id><published>2007-05-11T15:35:00.000-07:00</published><updated>2007-05-11T15:38:17.682-07:00</updated><title type='text'>Relativizando um Pouco</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Tenho uma amiga que está sempre de bem com a vida. Não que sua vida seja um mar de rosas constante; muito pelo contrário. Atualmente ela atravessa um momento difícil. Está desempregada e sua família passa por dificuldades financeiras, com as quais ela em nada pode colaborar. Está solteira aos 31 anos, há algum tempo sem conhecer alguém realmente interessante, e seu maior sonho é casar-se e ter filhos. Mas sempre que nos falamos, noto em sua voz sua característica animação. Ela é uma pessoa que não se permite esmorecer facilmente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Outro dia ela me contou uma história. Havia um menino pobre, que não tinha dinheiro nem para comer; e o sonho do menino era ter um cavalo. Um belo dia passa em frente à sua casa um cavaleiriço, conduzindo cinco belos cavalos e um potro pela estrada. O cavaleiriço vê o menino sentada na calçada e lhe pergunta se ele gostaria de ficar com o potro; preparava-se para um grande percurso, e tinha dúvidas sobre a capacidade do potro em completar a jornada. O garoto, sem titubear, aceita a oferta e fica com o potrinho. O vizinho, que a tudo assiste da porta de sua casa, dirige-se ao menino: “Mas que sorte a sua! Pobre como você só, tem como sonho possuir um cavalo, e eis que ganha um de um viajante desconhecido!!”. Ao que o pai do menino pobre responde: “Sorte, ou azar”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O potro cresce e se torna um belo cavalo de porte. Um dia, sem que ninguém pudesse esperar por isso, o cavalo foge, o que faz o menino sentir-se muito triste. Novamente o vizinho comenta: “Que azar! Pobre como você só, tem como sonho possuir um cavalo, e eis que ganha um de um viajante desconhecido! O potro cresce e se transforma em um belo cavalo, e eis que um dia, sem mais nem menos, foge!”. Ao que o pai do menino responde: “Azar, ou sorte”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Algum tempo depois, o cavalo reaparece, trazendo consigo duas fêmea e outros três machos, todos selvagens. A família do menino pobre constrói então um cercado em seu quintal, e começa a domesticar os cavalos. Rapidamente os cavalos se reproduzem, e eles iniciam uma pequena criação. O vizinho novamente se faz ouvir: “Que sorte a sua! Pobre como você só, tem como sonho possuir um cavalo, e eis que ganha um de um viajante desconhecido! O potro cresce e se transforma em um belo cavalo, e eis que um dia, sem mais nem menos, foge! E algum tempo depois, eis que o cavalo ressurge com outros cinco, vocês começam a domesticá-los e iniciam uma pequena criação!”. Ao que o pai do menino novamente responde: “Sorte, ou azar”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um belo dia, enquanto treinava os cavalos, o pai do menino pobre leva um coice de um deles e cai por cima do cercado que se quebra, e um pedaço da madeira rasga sua perna, causando um imenso ferimento. O vizinho novamente comenta: “ Que azar! Pobre como você só, tem como sonho possuir um cavalo, e eis que ganha um de um viajante desconhecido! O potro cresce e se transforma em um belo cavalo, e eis que um dia, sem mais nem menos, foge! E algum tempo depois, eis que o cavalo ressurge com outros cinco, vocês começam a domesticá-los e iniciam uma pequena criação! E eis que um dia seu pai leva um coice, cai por cima do cercado que se parte e rasga sua perna, causando esse imenso ferimento!”. De dentro da casa faz-se ouvir a voz do pai do menino pobre: “Azar, ou sorte”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Algum tempo depois, o país em que vivia o menino pobre, sua família e o vizinho entra em guerra com o país vizinho. Todos os homens são convocados a apresentarem-se como soldados, menos os velhos, as crianças e os feridos. Assim, o pai do menino pobre é o único homem do povoado a não ser convocado para a guerra. Assume espontaneamente como sua responsabilidade cuidar das famílias que haviam ficado sem seus homens, ajuda a todos e garante que o povoado continue prosperando até que a guerra termine e os homens retornem para suas casas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Essa historinha, disse-me minha amiga, nos ensina que um acontecimento, analisado individualmente, nunca é bom ou ruim, nunca concerne em si mesmo uma verdade absoluta. Tudo é relativo, já nos dizia Einstein em tempos idos. Algumas vezes podemos ser surpreendidos por acontecimentos inesperados, ruins a princípio, mas que depois de algum tempo mostram-se determinantes para que algo muito bom aconteça.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A verdadeira felicidade depende única e exclusivamente da forma com que enxergamos a vida. Uma pessoa pode ser vítima de um seqüestro, ficar dias em confinamento, ser salva e passar o resto da vida relembrando aqueles terríveis momentos, sofrendo um sofrimento sem fim até o dia de sua morte. Ou pode dar graças a Deus e sorrir, agradecendo por ter se salvado. Tudo depende do ângulo pelo qual enxergamos as coisas que nos acontecem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de uma outra história, esta contada pelo meu pai. Dois meninos esperavam ansiosos seus presentes de Natal. Os dois haviam pedido ao Papai Noel carrinhos de madeira, como os que haviam visto na vitrine de uma loja chique de brinquedos. Ambos abriram seus presente no dia de Natal, e ambos ganharam a mesma coisa: um pedaço de madeira maciço. Um dos meninos começou a choramingar: “Que azar o meu! Peço um carrinho de madeira e ganho um bloco de madeira maciça!”. O outro estampava um sorriso no rosto. “E você, tão azarado quanto eu, também pede de presente um belo carrinho de madeira, ganha um bloco de madeira maciço e ainda sorri?”, pergunta o choramingoso. Ao que o sorridente responde: “Tenho em minha casa a caixa de ferramentas de meu pai. Na caixa há pregos e um martelo, serrotes, pincel e tinta. Me faltava apenas a madeira para que eu pudesse construir meu próprio carrinho”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Às vezes é preciso que relativemos um pouco a vida. Talvez não haja pote de ouro nenhum, ao final do arco-íris. Talvez o pote de ouro seja uma simples metáfora, que simboliza quão enriquecedora pode ser a jornada de percurso  do arco-íris, vislumbrando  maravilhosas paisagens de lá de cima.&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Março de 2005.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-6713695180318407430?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/6713695180318407430/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=6713695180318407430&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/6713695180318407430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/6713695180318407430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2007/05/relativizando-um-pouco.html' title='Relativizando um Pouco'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4060487129751988224.post-7239127033343840113</id><published>2007-05-11T15:30:00.001-07:00</published><updated>2007-05-11T15:32:42.826-07:00</updated><title type='text'>Trouxa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Eu sou Trouxa. Trouxa assumida, daquelas com luminoso na testa em néon piscando: Trouxa. Já tentei deixar de ser; ser esperta, malandra, mais ligada. Mas as pessoas serão sempre o que já o são, e isso, no meu caso, traduz-se em uma única palavra: Trouxa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Para quem se perguntar o por que de tanta convicção em auto denominar-me Trouxa,  explico. Sou Trouxa, entre outras inúmeras razões, por acreditar que as pessoas são, em sua grande maioria, essencialmente boas. Que não têm a intenção de enganar, ludibriar e usar as outras pessoas em nome de seu bem-estar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Sou Trouxa por sempre buscar, nos idos do passado das outras pessoas, fatos que justifiquem suas atitudes atuais, nem sempre tão altruístas ou generosas assim. “Coitadinha, nunca se deu bem com os pais”. “É solitário, não tem com quem desabafar”. “Pobrezinho, levou um perdido de uma garota há dez anos atrás e ficou traumatizado”. É, Trouxa de carteirinha. Daquelas que pagam até mensalidade do Clube dos Trouxas Unidos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Sou Trouxa por acreditar que os crápulas mais inescrupulosos – daqueles que toda mulher, ao se aproximar, deveria proferir o Oxalá “pé de pato, mangalô três vezes” por precaução – podem se tornar pessoas boas. Que só precisam encontrar a mulher certa, geralmente esta Trouxa que vos fala, para entrar na linha e se transformar no genro que mamãe pediu a Deus... Algo como, em termos psicanalíticos, negar a própria falta sendo a personificação da falta que falta no outro, e um outro geralmente de índole. Trouxa, com firma reconhecida em cartório. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Sou, sim, Trouxa. Trouxa por considerar que tudo vale à pena se a alma não for pequena. E se houver algo a ser aprendido em cada experiência, tudo deve de ter um porquê e coincidências não existem. Trouxa por não conseguir prever – qualquer australopitecos conseguiria – que um homem desprezado por uma mulher no passado, fato este freqüentemente lembrado, relembrado e trilembrado por este mesmo homem em quaisquer situações, irá, assim que tiver a chance, desprezar a vingar-se desta mesma mulher. Trouxa por afirmar, do alto de minhas tamancas, que não quero mais que ele ligue. Totalmente trouxa por, ainda assim, me questionar o porque de ele não ter ligado. E absolutamente Trouxa por sentir frios no estômago quando o celular toca. Trouxa, e Trouxa tamanho família, embrulhada em papel de presente, e para viagem!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Sou tão Trouxa, mas tão Trouxa, que mesmo sabendo que me livrei de uma boa, ou como diria meu pai, de um merdinha hiperproteico e hipocefálico, ainda assim fico sonhando com a próxima vez em que faremos sexo. Trouxa por acreditar que ele vai ligar no dia seguinte, mesmo sabendo que não vai. Por crer piamente que daqui para frente tudo vai ser diferente, mesmo tendo acreditado no mesmo, em todas as outras sempre iguais vezes... Ouxa, ouxa, ouxa, eu sou mesmo muito Trouxa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;No mundo de hoje, Deus salve as crianças, os loucos e os Trouxas. Ser Trouxa, hoje em dia, é quase uma habilidade especial. Como diria minha analista, ser Trouxa é ter esperança. A minha analista, talvez a mais Trouxa de todas, ainda acredita em mim. E eu, apenas aprendiz de Trouxa, acredito na recuperação de canalhas aborígenes, mas não na minha própria, o que mais uma vez mostra o tamanho da minha Trouxisse – ou Trouxidão?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Às vezes penso que seria mais fácil me fechar ao mundo, me tornar uma lagarta no casulo, procurando não sofrer mais por possuir esta essência Trouxa. Mas algo ainda me faz acreditar que tudo isto um dia acabe valendo à pena. Um dia em que eu finalmente me assuma e possa bradar a plenos pulmões, como a criança Trouxa que certamente fui um dia: “Sou Trouxa mas sou feliz, e mais Trouxa é quem me diz!”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;em&gt;Março de 2005.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4060487129751988224-7239127033343840113?l=flaviamelissa-velharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/feeds/7239127033343840113/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4060487129751988224&amp;postID=7239127033343840113&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/7239127033343840113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4060487129751988224/posts/default/7239127033343840113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flaviamelissa-velharias.blogspot.com/2007/05/trouxa_11.html' title='Trouxa'/><author><name>Flavia Melissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06574723482919590272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_fqx6U3WegVU/SCNGhapQWcI/AAAAAAAAAls/DfHp8x7r3C0/S220/back_2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
